Por Redação do ge — Porto Alegre
23/10/2026 21h00 Atualizado 23/10/2026
Grupo RBS promove sabatina com Roberto Melo, presidenciável do Inter
Candidato à presidência do Inter, Roberto Melo foi sabatinado por jornalistas do Grupo RBS na noite desta sexta-feira. A entrevista teve duração de uma hora e meia.
Foram abordados temas relevantes para o clube como futebol (masculino e feminino), categorias de base, finanças, gestão, governança, infraestrutura e SAF, entre outros.
Roberto Melo, candidato à presidência do Inter — Foto: Jonathan Heckler/Grupo RBS
Participaram da entrevista os comunicadores Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio.
Melo foi o último a passar pela sabatina. Na quarta-feira, José Amarante foi o primeiro a participar. Na quinta, foi a vez de Leonardo Aquino.
O primeiro turno da votação, no Conselho Deliberativo, está marcado para o dia 9 de novembro. Em caso de necessidade, a eleição no pátio, com participação dos sócios, será em 12 de dezembro.
Eleições do Inter: Roberto Melo responde sobre finanças
Sobre a situação financeira do Inter, uma situação extremamente delicada, uma dívida que na casa de um bilhão de reais. O senhor tem a fórmula, a solução para esse problema?
– Não existe fórmula mágica; o que o clube precisa é fazer o enfrentamento imediato do problema e tomar decisões difíceis. Se o Internacional tivesse tomado essas atitudes no início do ano, quando a consultoria contratada apontou o caminho, não estaria na situação atual. Provavelmente não teria salários atrasados, teria qualificado o time na janela do meio do ano e não sofreria com os sucessivos transfer bans, pois teria suspendido execuções, melhorado o fluxo de caixa e obtido liquidez. Nosso plano é atacar três frentes simultâneas a partir da transição: primeiro, organizar o caixa, mapeando os vencimentos mais urgentes, como a folha de pagamento dos funcionários e do elenco, e quitar os débitos que geram impedimentos operacionais ao clube. Segundo, escolher o modelo de reestruturação de dívida mais apropriado após analisar os números reais do clube. Terceiro, equilibrar receitas e despesas, encerrando esse modelo de gestão esgotado de gastar mais do que se arrecada.
Sobre recuperação judicial, a sua posição é de primeiro entrar no clube, se for eleito, entender o que está acontecendo para depois tomar a decisão?
– Não sabemos exatamente quais dívidas estão vencendo ou quais são concursais. Além disso, temos que considerar a regulação da ANRESF, onde o Inter apresentou um plano coletivo de pagamentos que gerou um evento de insolvência e trouxe impedimentos ao clube. Para liberar o Inter, será preciso cumprir esse plano e apresentar outro projeto de reestruturação financeira válido para os próximos dois mandatos. Precisamos analisar bilateralmente se o melhor caminho é a renegociação extrajudicial ou a recuperação judicial, avaliando as vantagens e as graves consequências financeiras e esportivas de cada escolha. Não vamos empurrar o problema com a barriga; tomaremos decisões duras rapidamente. Paralelamente, é obrigatório buscar novas receitas. Conforme aponta o relatório da Alvarez & Marsal, mesmo adotando a recuperação judicial, o clube precisará captar cerca de 100 milhões no primeiro ano e 200 milhões no segundo para conseguir cumprir o plano e manter a operação funcionando.
O senhor tem conversado com o Sonda? Qual será a participação dele em caso de vitória na eleição? Ele estará presente e poderá acontecer um novo aporte? E se acontecer, será para colocar contas em dia ou para contratar jogadores?
– Estive em São Paulo na semana passada e mantive reuniões presenciais e virtuais com o Delcir Sonda e seu vice-presidente. Estamos alinhando a melhor maneira de ele colaborar. O Sonda quer muito ajudar; ele é um apaixonado pelo Internacional, o clube é a sua grande paixão e ele faz questão de participar. No entanto, é fundamental deixar claro que qualquer recurso que venha do Sonda ou de novos fundos será direcionado exclusivamente para o enfrentamento da dívida e emergências financeiras, e não para a contratação de jogadores. Não faremos novas dívidas para contratar atletas. O foco é quitar o que nos asfixia e nos tira a capacidade de competir e investir. A prioridade máxima é manter salários em dia, pois, embora o grupo atual demonstre enorme comprometimento e entrega em campo, atrasos salariais geram turbulências semanais que afetam o ambiente. O Sonda participará como investidor e colorado, ajudando a resolver o nosso principal gargalo, o endividamento.
Eleições do Inter: Roberto Melo responde sobre gestão e governança
Nos primeiros seis meses para a arrancada, vai ter que montar time, pagar salário, pagar dívida, tirar o clube desse sufocamento. Qual a primeira medida?
– Defendi firmemente a antecipação da eleição porque, para quem conhece a rotina do futebol, cada dia faz uma diferença enorme no planejamento. O campeonato termina no dia 2 de dezembro e aguardar até o dia 12 para realizar a eleição é um prejuízo enorme. Nesse intervalo, os jogadores e técnicos saem de férias e os empresários começam a movimentar o mercado; eles não vão esperar o Internacional definir seu mandatário na metade do mês. Se eu estiver negociando com um executivo ou treinador, não posso pedir que ele aguarde até o dia 12 sem garantias enquanto recebe outras propostas. Precisamos ter legitimidade o quanto antes para tomar decisões, acertar contratações e garantir patrocinadores. A atual gestão cometeu justamente o erro de adiar medidas cruciais no início do ano. Não podemos esperar até janeiro para fazer o enfrentamento necessário; quem assume precisa de respaldo imediato para agir.
Eduardo Batista seguirá com o senhor em 2027? Não só ele, Abel Braga e Fabinho?
– Fazer especulações sobre a permanência de profissionais agora em nada contribui para o ambiente do clube. Nossa prioridade absoluta é garantir a permanência na Série A, e são justamente as pessoas que estão lá hoje que têm a responsabilidade de nos manter na primeira divisão. Anunciar desligamentos neste momento seria irresponsável e desmotivaria os profissionais que estão trabalhando. O caso do Abel Braga é diferente por se tratar de um grande ídolo do clube com quem tenho uma relação próxima; precisaremos conversar diretamente para ouvir o que ele pensa sobre sua permanência. Quanto ao técnico Eduardo Baptista, ele assumiu um grande desafio. Se mantiver o Inter na Série A, ele se valoriza e fortalece seu trabalho. Contudo, qualquer definição sobre treinadores ou projetos para 2027 depende de uma conversa profunda sobre o nosso plano de gestão, algo que só deve ser tratado após a última rodada do campeonato, no dia 2 de dezembro.
Departamento de futebol: como é que vai ser o formato? Vai ter vice de futebol, diretor executivo, diretor esportivo? Quantas pessoas devem compor?
– Implementaremos uma estrutura profissional em que o CEO terá um papel central de integração, vinculando o departamento de futebol ao orçamento do clube. O CEO liderará os executivos e terá poder de veto em contratações que excedam o teto financeiro. A estrutura contará com diretor executivo, coordenador técnico, departamento de scout e uma área de performance e saúde. A equipe médica terá papel ativo e responsabilidade formal na aprovação de reforços, assinando laudos de aptidão para evitar a chegada de atletas com histórico recorrente de lesões. Teremos também a figura do Vice de Futebol, pois o estatuto atual exige dez vice-presidências obrigatórias. Contudo, promoveremos uma reformulação na governança para definir hierarquias claras: o presidente e o conselho de gestão definem a estratégia e cobram metas, enquanto a execução fica exclusivamente a cargo dos profissionais, sem interferência política dos vices na rotina de trabalho.
Eleições do Inter: Roberto Melo responde sobre futebol masculino e de base
Temos uma perspectiva de asfixia financeira, falta de liquidez, e a cereja azeda do bolo é uma credibilidade arranhada por transfer bans porque o Internacional simplesmente não pagou. Diante disso, fazendo vínculo com o futebol, política de contratação, o que será possível num cenário financeiro como esse que nós descrevemos?
– Nossa diretriz não é apenas gastar menos, mas sim gastar melhor o recurso disponível. Pretendemos implementar um método próprio e uma identidade clara de futebol: um time competitivo, intenso, organizado e que dê espaço e protagonismo aos atletas formados em casa. Para recuperar o sentimento de pertencimento que se perdeu ao longo dos anos, planejamos aproximar fisicamente a base do time profissional. A ideia é construir dois campos e estruturas de alojamento na área do estacionamento do Beira-Rio — próximo às estátuas de Fernandão e Abel — para abrigar as categorias Sub-17 e Sub-20. Isso permitirá que os jovens vivenciem a rotina do estádio e sejam acompanhados de perto pela comissão técnica principal. Além disso, essa proximidade aumenta nosso poder de convencimento na captação de promessas do mercado nacional, oferecendo uma estrutura atrativa, no centro da cidade e integrada ao ambiente do futebol profissional.
Uma das grandes fragilidades do Inter, já há bastante tempo, é não ser dono do seu CT de base. Com esse estrangulamento financeiro, é possível atacar rapidamente ou no médio prazo na intenção de ter um CT?
– O Internacional é um clube gigante e não deveria viver de aluguel para abrigar sua base, mas preciso ser transparente e não vender a ilusão de que construiremos um CT próprio de imediato, em um momento em que o clube mal consegue quitar o aluguel em Alvorada. A gestão atual teve receitas extraordinárias com vendas de atletas, recursos da Liga e patrocinadores, mas optou por não investir em um centro de treinamento. Embora eu mantenha o projeto do CT de Guaíba no horizonte, a realidade financeira e o custo do projeto exigem urgência em soluções viáveis. O caminho imediato é aproximar o Sub-17 e o Sub-20 do Beira-Rio, utilizando a área que já temos no complexo. Também pretendemos otimizar o espaço em Alvorada para abrigar o futebol feminino e as escolinhas. Precisamos ser pragmáticos e focar no que traz resultado rápido para promover atletas e reestruturar a formação do clube sem comprometer ainda mais o orçamento.
Eleições do Inter: Roberto Melo responde sobre futebol feminino
Eleições do Inter: Roberto Melo responde sobre SAF