27/10/2026 18h07 Atualizado 27/10/2026
Coritiba perde com gol no fim e chega a sete jogos sem vencer
A demissão de Fernando Seabra do Coritiba, anunciada nesta terça-feira, foi resultado de um processo que se intensificou nos bastidores nos últimos meses. Na avaliação do departamento de futebol, liderado por William Thomas, treinador e jogadores já não estavam em sintonia, o que comprometeu a continuidade do trabalho na reta final do Campeonato Brasileiro.
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Apesar do respeito pelo profissional e pelo trabalho desenvolvido durante a temporada, a comissão técnica perdeu capacidade de mobilizar parte do elenco, especialmente a partir da pausa para a Data Fifa de setembro.
Um dos pontos de inflexão foi a tentativa de tornar a equipe mais propositiva. Depois de construir boa parte da campanha com uma postura reativa, baseada na organização defensiva e nas transições rápidas, Seabra buscou dar ao time mais controle das partidas.
A estratégia, porém, não apresentou a resposta esperada. As goleadas sofridas para Vasco, por 5 a 0, e Fluminense, por 4 a 0, evidenciaram as dificuldades da equipe e aumentaram a pressão sobre o treinador.
Na sequência, Seabra tentou retomar o modelo que havia sustentado o desempenho alviverde no primeiro turno, com maior proteção defensiva e aposta nos contra-ataques. A mudança não foi suficiente para interromper a queda de rendimento.
Nos bastidores, a alternância entre propostas táticas passou a ser vista como um obstáculo à consolidação de um padrão de jogo. A equipe precisava assimilar diferentes orientações sem transformar os ajustes em regularidade dentro de campo.
Após o empate por 1 a 1 com o Botafogo, em outubro, Seabra explicou publicamente a adoção de um bloco defensivo mais baixo para reduzir os espaços e devolver segurança ao time.
Fernando Seabra, treinador do Coritiba — Foto: Hedeson Alves/AGIF
Além das questões táticas, o método de trabalho de Seabra passou a incomodar parte do elenco. Relatos de bastidores apontam descontentamento com a condução das atividades, consideradas excessivamente metódicas por alguns jogadores e marcadas por um estilo descrito como "professoral".
A dificuldade para compreender e assimilar determinadas orientações alimentou questionamentos sobre a aplicação das ideias nos treinos e nas partidas. Com o tempo, o incômodo afetou a relação diária entre comissão técnica e jogadores, dificultando a adesão às propostas do treinador.
A relação de Seabra com o clube já havia passado por um episódio delicado em julho, quando ele ficou perto de deixar o Coritiba para assumir o Vasco. A negociação não avançou devido a um impasse envolvendo o pagamento da multa rescisória, e o treinador permaneceu no Alto da Glória.
Nos meses seguintes, a dificuldade para encontrar respostas em campo e a falta de alinhamento com parte do elenco pesaram na avaliação do departamento de futebol. A conclusão foi de que a continuidade do trabalho já não oferecia as condições necessárias para a reação da equipe.
A gestão do Coritiba está sob responsabilidade do Grupo Independiente del Valle, que conduz as decisões estratégicas e a rotina administrativa da SAF. Nesse modelo, a OutField atua na fiscalização e nas questões de governança, enquanto a Treecorp mantém uma participação mais reduzida no dia a dia do clube.
Com a saída de Seabra, a estrutura de gestão terá papel importante na definição dos próximos passos do futebol alviverde. A seis rodadas do fim do Brasileiro, a prioridade é encontrar uma solução capaz de melhorar o desempenho e recuperar a confiança do elenco, com pouco tempo para mudanças profundas.
Fernando Seabra, técnico do Coritiba, e Tinga — Foto: Paulo De Tarso/AGIF
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