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Infantino se diz aberto a diálogo e quer que federações proponham modelos de governança à Fifa

Por Leonardo Lourenço — São Paulo 21/09/2026 18h38 Atualizado 21/09/2026 Gianni Infantino celebra inauguração de Centro de Desenvolvimento do Futebol no ES e PI Em carta enviada nesta segunda-feira às 211 associações-membro da Fifa, o presidente da entidade, Gianni…

Infantino se diz aberto a diálogo e quer que federações proponham modelos de governança à Fifa
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Por Leonardo Lourenço — São Paulo

21/09/2026 18h38 Atualizado 21/09/2026

Gianni Infantino celebra inauguração de Centro de Desenvolvimento do Futebol no ES e PI

Em carta enviada nesta segunda-feira às 211 associações-membro da Fifa, o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que pedirá ao Conselho da Fifa que seja feita uma "consulta direta, estruturada e de duração limitada" para ouvir as confederações sobre como fortalecer "as tomadas de decisão" na federação internacional.

A mensagem é uma resposta às críticas pelo projeto da Fifa Forward Enterprise, empresa que teria investidores privados como sócios minoritários e seria a responsável pelos direitos comerciais e de competições da Fifa, como a Copa do Mundo.

A proposta gerou forte reação, especialmente de países Europeus e da Concacaf, a associação da América do Norte, América Central e do Caribe.

– A consulta convidaria às apresentações de propostas concretas sobre uma participação institucional mais precoce sobre as respectivas funções do presidente, do Bureau, do Conselho e do Congresso, e sobre medidas práticas para reforçar a transparência, a participação e a prestação de contas nas grandes iniciativas estratégicas – afirma Infantino na carta a que o ge teve acesso.

O presidente da Fifa também diz que irá sugerir ao Conselho, que se reúne em 15 de outubro, que decida se quer encomendar uma avaliação independente sobre a governança da entidade.

Na carta, Infantino defende que a Fifa Forward Enterprise era uma "sociedade comercial controlada pela Fifa" e que ela não previa "abrir mão do controle da Fifa nem de suas autoridades sobre as decisões esportivas". Ele diz, também, que a proposta foi divulgada antes do previsto e de ser apreciada pelos poderes da entidade.

– Reconheço que, na ausência do contexto completo, isso gerou preocupação e deu a impressão de que decisões já tinham sido tomadas. Não era o caso, claramente. Era uma proposta, não uma decisão, e sempre esteve sujeita às aprovações do Conselho e das federações membro. Agora foi retirada e não seguirá adiante.

Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Getty Images

No documento ele também garante que os programas da Fifa, que distribuem parte das receitas para as associações, não mudarão, independentemente do lado que cada federação assumiu durante a crise que atingiu a Fifa depois da Copa do Mundo.

– O tratamento dado a nenhuma federação dependerá de sua posição sobre uma proposta ou um assunto institucional.

Nos próximos meses, a Fifa escolherá o presidente que comandará a federação por mais quatro anos. Dirigentes precisam registrar suas candidaturas até o dia 18 de novembro – Infantino já declarou que tentará mais uma reeleição, a última possível de acordo com o estatuto. A eleição está prevista para março do ano que vem, no Congresso marcado para Rabat, no Marrocos.

A oposição a ele, um bloco que reúne a Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol, ainda não tem um nome para o pleito.

Prezados membros do Conselho,

Prezados presidentes das federações membro,

Nas últimas semanas, reservei um tempo para ouvir antes de me dirigir a vocês por escrito. Em minhas conversas privadas com dirigentes de confederações e presidentes das federações membro, falamos sobre o futuro da FIFA, sobre nossas aspirações comuns e sobre como os grandes projetos devem ser elaborados e examinados. Agradeço a franqueza de vocês. Suas perspectivas ajudaram a moldar as propostas que apresento hoje.

O futebol é para todos, em todos os lugares. A FIFA pertence igualmente às suas 211 federações membro. A legitimidade da FIFA se baseia no fato de que todas as federações membro têm a mesma voz, independentemente de seu tamanho, seus recursos ou sua força comercial. Seus processos democráticos, sua independência e sua autoridade esportiva nunca estiveram à venda. Não estão e jamais estarão.

Durante minha presidência, fortalecemos a FIFA, aumentamos suas receitas e ampliamos sua capacidade de investir no futebol. Foi uma conquista coletiva. Nosso objetivo comum é traduzir esse progresso em maior apoio ao desenvolvimento e à solidariedade, de forma mais sustentável, para que todas as federações membro possam acessar mais recursos para melhorar suas instalações, fortalecer suas competições, formar jogadores e treinadores e criar mais oportunidades de praticar futebol.

A recente proposta explorava se um investimento minoritário em uma sociedade comercial controlada pela FIFA poderia gerar recursos adicionais para esse fim. Ela não previa abrir mão do controle da FIFA nem de sua autoridade sobre as decisões esportivas. Obviamente!

A proposta foi divulgada antes de concluído o processo institucional previsto pela FIFA e antes de poder ser apresentada integralmente ao Conselho e às federações membro. Reconheço que, na ausência do contexto completo, isso gerou preocupação e deu a impressão de que decisões já tinham sido tomadas. Não era o caso, claramente.

Era uma proposta, não uma decisão, e sempre esteve sujeita às aprovações necessárias do Conselho e das federações membro. Agora foi retirada e não seguirá adiante.

Essa experiência reforçou uma ideia simples: um objetivo valioso deve vir acompanhado de um processo que inspire confiança. As grandes ideias devem ser elaboradas, submetidas a exame e comunicadas por meio de instituições claras e confiáveis. É uma responsabilidade que assumo com seriedade.

A retirada desta proposta não diminui nossa ambição nem nossa responsabilidade de reinvestir no futebol uma parcela maior dos frutos do sucesso da FIFA. Continuaremos explorando caminhos sustentáveis para aumentar os recursos da FIFA e ampliar o apoio ao desenvolvimento e à solidariedade para todas as federações membro. O que muda não é a ambição, mas a solidez do processo pelo qual as grandes iniciativas são elaboradas, examinadas e decididas.

Os avanços que conquistamos na última década nos dão uma base sólida para o futuro. Também nos dão a confiança necessária para examinar se nossa governança continua adequada à magnitude e à complexidade das decisões que temos pela frente.

As instituições sólidas não esperam que seus sistemas falhem para pensar em como aperfeiçoá-los. Devemos manter nossa ambição, ouvir com atenção e garantir que as grandes iniciativas sejam examinadas por processos claros e eficazes.

Com esse propósito, gostaria de apresentar duas propostas relacionadas entre si:

Primeiro, pedirei ao Conselho que decida se quer encomendar uma avaliação externa e independente do atual marco de governança da FIFA para grandes iniciativas estratégicas, com recomendação de possíveis melhorias.

Segundo, proporei que o Conselho estabeleça uma consulta direta, estruturada e de duração limitada com as confederações, as federações membro e as partes interessadas relevantes sobre como continuar fortalecendo a tomada de decisões da FIFA.

A consulta convidaria à apresentação de propostas concretas sobre uma participação institucional mais precoce, sobre as respectivas funções do Presidente, do Bureau, do Conselho e do Congresso, e sobre medidas práticas para reforçar a transparência, a participação e a prestação de contas nas grandes iniciativas estratégicas.

Nas últimas semanas, ouvi ideias bem fundamentadas, embora substancialmente distintas. Alguns sugeriram que os grandes assuntos estratégicos deveriam exigir o acordo unânime do Bureau antes de poderem avançar. Outros consideram que esses assuntos deveriam ser reservados diretamente ao Congresso e às 211 federações membro. Cada abordagem tem consequências para o consenso, a representação, a prestação de contas e a capacidade da FIFA de tomar decisões em tempo hábil. Cada uma merece ser examinada devidamente por seus próprios méritos.

Minha função não é prejulgar esse debate. Quem defender um modelo específico deve ter a oportunidade de expor claramente seus argumentos. Quando as mudanças exigirem a aprovação das federações membro, caberá a elas decidir.

As propostas recebidas antes da reunião do Conselho da FIFA prevista para 15 de outubro de 2026 poderão ser examinadas já nessa reunião. Naturalmente, também serão examinadas as propostas escritas recebidas depois, desde que apresentadas em prazo razoável. As eventuais alterações estatutárias seriam então submetidas ao Congresso para exame e aprovação pelo procedimento correspondente.

Da mesma forma, qualquer recomendação decorrente da avaliação de governança que exija aprovação das federações membro seria submetida a vocês para exame e decisão.

Minha responsabilidade é servir de forma equânime às 211 federações membro, independentemente de sua posição sobre qualquer assunto específico.

Os programas de desenvolvimento e solidariedade da FIFA continuarão conforme suas regras atuais e critérios objetivos. Seguiremos trabalhando para ampliá-los de forma sustentável em benefício de todas as federações membro. O tratamento dado a nenhuma federação dependerá de sua posição sobre uma proposta ou um assunto institucional.

Continuo à disposição de cada um de vocês. Todas as federações membro têm o direito de ser ouvidas. Concordar não é condição para dialogar, e a discordância nunca deve impedir o respeito mútuo.

Continuo plenamente comprometido com a direção da FIFA e confio no que podemos alcançar juntos. Nossa responsabilidade vai além de qualquer proposta ou desacordo específico. Consiste em proteger a independência da FIFA, fortalecer suas instituições e garantir que o progresso do futebol beneficie o esporte como um todo, no mundo inteiro.

O futebol é para todos, em todos os lugares. Esse princípio continuará guiando nosso trabalho.

Cordiais saudações no futebol,