Por Redação do ge — Porto Alegre
19/10/2026 13h22 Atualizado 19/10/2026
Após a derrota para o Cruzeiro, o técnico Renato Gaúcho criticou duramente o planejamento do Grêmio, revelando que um reforço contratado chegou ao clube com 9kg acima do peso.
O treinador defendeu a realização de churrascos no elenco e criticou o excesso de jogadores estrangeiros sem adaptação, além de apontar erros de posicionamento dos atacantes de lado.
Renato afirmou não ter "varinha mágica" para corrigir em 15 dias os problemas de 9 meses, mas trabalha para tirar o Grêmio de uma situação difícil no Brasileiro.
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A entrevista coletiva de Renato Gaúcho depois da derrota do Grêmio para o Cruzeiro repercutiu. E não foi novidade na atual passagem do comandante pelo clube. O técnico colecionou declarações críticas nas últimas semanas, especialmente depois do Gre-Nal e da partida deste domingo.
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A mais recente declaração foi a que citou que o Grêmio contratou neste ano um jogador que estava 9kg acima do peso ideal. Na mesma entrevista, criticou a maneira como o Tricolor avaliou contratações para a temporada.
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Igualmente, embora tenha garantido que o Grêmio melhorou em todos os sentidos, também disse que os jogadores em campo que precisar exercer o trabalhado no dia a dia. São quatro jogos no comando, ainda sem vitória – o Tricolor não ganha há sete jogos.
Na apresentação, Renato havia dito que não iria entrar em detalhes do trabalho anterior. Mas o treinador já deixou claro que não tem "varinha mágica" para resolver os "milhões de problemas" que encontrou no Grêmio e fez críticas à maneira como a comissão técnica lidou com a chegada de Danilo Barbosa, que não jogava há três meses quando contratado, e que havia jovens sem ritmo, porque não eram testados em jogos-treino.
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– Todo mundo é culpado. Tem de analisar a culpa de cada um. Vocês que analisem o percentual. Eu me incluo. Quando falo que traz, traz, traz sem analisar. Um jogador veio para o Grêmio com 9kg acima do peso. Hoje está no peso e é bom jogador. Mas ninguém olha quem vai contratar? Não vê o perfil? Não estamos falando da parte técnica. Você precisa olhar a ficha. Traz o jogador. Quanto tempo precisa para colocar em forma? Trouxeram o Danilo, parado há três meses. Botaram para jogar em uma semana. A conta chegou. O Renato tem culpa, claro. Mas é preciso analisar desde o início do ano. É inadmissível o tamanho do Grêmio e lutar na parte de baixo da tabela.
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– Você está falando um monte de besteira? Tem certeza que está pior? Você sabe como eu encontrei o clube, o que precisava corrigir, coisas que não há tempo e precisando de resultado? Não vou detalhar porque vocês acham que eu estou criticando o outro técnico. O Grêmio melhorou em todos os sentidos, mas varinha mágica ninguém tem. Infelizmente, tomamos quatro gols em quatro falhas nossas. Aí não tem quem aguente.
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– Faria tudo de novo. Churrasco teve antes de eu chegar também. Só falta vocês dizerem que a culpa foi do churrasco. Teve com o outro treinador também. Eu acho válido. Você conversa com todo mundo, o grupo fica junto. Trabalhamos. O Grêmio jogou muito bem no primeiro tempo, mas tomamos com dois gols. Jogo-treino nunca tinha sido feito para dar ritmo aos jogadores. Jogadores três, quatro, cinco, seis, sete meses sem atuar. E vocês falam do churrasco? É difícil.
– Poderia pensar em fazer algo diferente? Precisávamos da vitória. Coloquei um meia. Alguém faria algo diferente precisando vencer? Trabalho com os jogadores que tenho. Vocês poderiam falar se tivesse jogado com três volantes. Se alguém falar que faria algo diferente, gostaria que falasse. Quero aprender também.
Renato em derrota do Grêmio para o Cruzeiro — Foto: Roberto Vinicius/AGIF
– Não é possível atacante, jogar está se desempenhando do lado esquerdo, por exemplo, o meu atacante está em cima da linha do lado direito, ou vice-versa. O que vocês estão fazendo aí? Então, se você for olhar o sistema dos treinadores estrangeiros, eles gostam que jogue assim. Eu não gosto. Eu não gosto. Atacante já diz, atacante, faz gol. Se não gosta de pisar na área e não gosta de fazer gol, não pode ser atacante. Esse é um problema que eu estou corrigindo.
– Quando o jogador, seja em qualquer clube, uma coisa é ele ter qualidade de técnica. Outra coisa é ele não ter. Aí eu não vou fazer o cara jogar mais. Ah, não vou mesmo. Não tem como. Eu posso corrigir os defeitos do jogador. Seja ele com boa parte técnica ou não. Agora, fazer um cara jogar mais, ele pode estar numa fase, ele vai voltar a jogar bem. Mas fazer jogar mais... Futebol não se compra. Você nasce com ele, você aperfeiçoa só.
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– Você chega aqui, você tem dois, três, um cara falando uma língua. Chega no outro canto, três, quatro, falando uma língua. Chega no outro canto, quatro, cinco, falando uma língua. Até os caras se entenderem, meu amigo. Até os caras. O que eu acho um erro, não é porque a CBF liberou X estrangeiros, tem que trazer estrangeiro de tudo que é lá, de qualquer jeito. Traz o estrangeiro, o cara já está adaptado ao futebol brasileiro. É simples trabalhar no futebol. Aí você traz o estrangeiro, ele não é nem culpado, ele chega aqui até se adaptar ao futebol brasileiro, até ele conhecer os companheiros dele, se passaram cinco, seis meses. E aí?
– Eu treino eles no campo, na prática, quando eles cometem o erro eu corrijo, levo eles para a sala, mostro para eles o que é certo, o que eles fizeram de errado. Esse é o meu trabalho. Você falou o que foi feito nessa Data Fifa. Foi feito o que não foi feito em nove meses. E você acha que em 15 dias eu vou chegar com a varinha mágica e corrigir tudo? Tem muita coisa para corrigir. Não é pouca coisa, não. Muita coisa. Não vou entrar, estou falando que é muita coisa para corrigir e tem pouco tempo e a gente está numa situação difícil no Brasileiro .
– Não estou aqui para falar A, B ou C da antiga comissão técnica, pelo contrário, todo respeito a eles. Esse era o trabalho deles, agora é o meu trabalho, viramos a página. Vamos em busca do que a gente precisa, do que a gente precisa corrigir, para buscar os resultados que o clube precisa.
Apresentação e recado de Renato Portaluppi