Por Elisa Ladeira — Matias Barbosa, MG
21/10/2026 14h59 Atualizado 21/10/2026
Esporte: mãe de Fabi relembra início da filha no vôlei antes de se tornar estrela mundial
Vera Alvim admite sem rodeios: não acreditava que a filha teria futuro no vôlei. Décadas depois, viu Fabi se consolidar na carreira, conquistar dois ouros olímpicos e alcançar um dos maiores reconhecimentos possíveis no esporte, ao entrar para o Hall da Fama da modalidade em cerimônia nos Estados Unidos.
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Em entrevista à TV Integração, Vera se emocionou ao lembrar da caminhada da bicampeã olímpica, que foi marcada, no começo, pela desconfiança da mãe.
— Eu não dava nada. Achava que não tinha futuro nenhum. Mas pelo menos ela estava fazendo alguma coisa. Ela saía do colégio, pegava o ônibus. Eu dava o dinheiro contado da passagem. Ela ia sem almoço, chegava na Gávea e treinava.
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Vera Alvim, mãe de Fabi Alvim — Foto: Reprodução/TV Integração
A paixão pelo esporte surgiu cedo. Antes de se destacar nas quadras, Fabi gostava de jogar bola e atuava como goleira. A mudança de esporte aconteceu quando ela foi convidada por um treinador para experimentar o vôlei.
A nova modalidade rapidamente virou prioridade para a jovem. Determinada, Fabi chegou a montar o próprio time de vôlei no bairro. Em casa, no entanto, encontrava resistência.
— Ela mesma montou um time de vôlei e eu brigando: "Fabiana, vai estudar, Fabiana". Eu sempre cobrava os estudos. Ela fazia o dever no próprio colégio para, quando chegasse em casa, ter tempo de brincar — lembrou.
Fabi Alvim entra oficialmente para o Hall da Fama — Foto: Camilo Pinheiro Machado
A insistência da filha levou a uma conversa que Vera nunca esqueceu. Entre uma bronca e outra, ouviu uma resposta que mais tarde ganharia outro significado.
— Falou para mim: "Mãe, no dia que você não me vir mais na quadra, pode ter certeza que estou fazendo coisa errada".
Pouco depois, surgiu a oportunidade que mudaria a vida da futura campeã olímpica. Um convite inesperado para fazer testes no Flamengo. Vera lembra que foi avisada pela filha em cima da hora.
— Ela chegou em casa e falou, nos 45 do segundo tempo: "Mãe, amanhã vou levantar cedo, não vou ao colégio porque vou fazer um teste no Flamengo". Eu falei: "Como, minha filha? Você vai de Irajá para o Flamengo?". "Mãe, deixa eu ir, por favor. É meu sonho" — relembrou Vera.
Fabiana segura medalha de ouro de Londres ao lado de Fabi Alvim e Sheilla — Foto: Elsa/Getty Images
Mesmo autorizando a viagem, Vera admite que não acreditava que a experiência renderia frutos. A desconfiança durou pouco. Fabi passou na avaliação e começou uma rotina pesada para perseguir o sonho de se tornar jogadora profissional.
Com o tempo, o talento chamou atenção. O clube passou a oferecer ajuda com transporte e alimentação. Ainda assim, a mãe demorou a enxergar o tamanho do potencial da filha.
— Quando o técnico viu que ela tinha condições, começou a dar passagem, depois alimentação. E aí ela foi. Mesmo assim, eu não acreditava — disse.
Décadas depois, a menina que atravessava a cidade para treinar soma uma das carreiras mais vitoriosas do vôlei brasileiro. Bicampeã olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012, Fabi é considerada por muitos a maior líbero de todos os tempos.
Os feitos por clubes e pela Seleção também a levaram ao Hall da Fama da modalidade. A inclusão da líbero aconteceu no dia 17 de outubro durante cerimônia em Holyoke, no estado americano de Massachusetts, considerado o berço do esporte.
Fabi conta como defesa com o pé em Londres 2012 a reconectou com o pai