29/10/2026 06h06 Atualizado 29/10/2026
Remo x Botafogo - Melhores Momentos
O Remo voltou a vencer no Brasileirão. Na última quarta-feira, dia 28, o Leão bateu o Botafogo por 2 a 1, no Mangueirão, pela 33ª rodada, encerrando um jejum de três meses sem vitórias. Com uma estratégia defensiva sólida e mais eficiência no ataque, o time de Thiago Carpini conseguiu transformar uma atuação segura em um resultado positivo.
"Aconteça o que acontecer, vamos fazer tudo para melhorar a imagem do Remo" diz Picco
Para enfrentar o Botafogo, Carpini apostou em um meio-campo de forte capacidade física, com três volantes de pouca vocação ofensiva: Zé Welison, Patrick e Picco.
Remo vence o Botafogo — Foto: Samara Miranda/Remo
Sem a bola, Zé Welison recuava para compor a linha defensiva, formando uma última linha com cinco jogadores. À frente, quatro homens ocupavam o meio-campo, com Taliari mais adiantado. O desenho era de um 5-4-1, estrutura que dificultou as ações ofensivas do adversário durante boa parte da primeira etapa.
A organização também aparecia quando o Remo recuperava a posse. Zé Welison afundava para ajudar na saída de bola, enquanto a equipe buscava avançar de maneira mais direta, com passes de médio e longo alcance.
Nesse modelo, Marcelinho voltou a ser uma das principais válvulas de escape do Leão. O lateral-direito foi bastante acionado e participou diretamente da construção do primeiro gol, em uma jogada que exigiu insistência e contou com uma falha da defesa alvinegra.
Foram necessários dois cruzamentos de Marcelinho para a bola chegar a Jajá, que aproveitou a oportunidade e marcou seu nono gol com a camisa azulina.
A jogada simbolizou um dos pontos fortes do Remo: as duas peças mais importantes do sistema ofensivo.
Jajá comemora gol em Remo x Botafogo — Foto: Fernando Torres/AGIF
O primeiro tempo foi sólido. Além de controlar os espaços e dificultar a progressão do Botafogo, o Remo praticamente não permitiu que o adversário ameaçasse sua meta. O Alvinegro sequer conseguiu finalizar na direção do gol.
Logo no início do segundo tempo, Picco ampliou a vantagem com um golaço. O argentino, que frequentemente deixa a dúvida sobre por que não recebe mais oportunidades entre os titulares, aproveitou a chance para elevar ainda mais o nível de sua atuação.
Mas o gol não deve ser o único critério para avaliar seu desempenho. Picco foi um dos destaques da partida também pela contribuição sem a bola, com 14 ações defensivas diante do Botafogo. Foi uma atuação que reforçou a importância do volante no equilíbrio da equipe.
Leonel Picco — Foto: Samara Miranda / Ascom Remo
Com a vantagem de dois gols, o Remo recuou suas linhas e passou a sofrer mais com a pressão adversária. O Botafogo se lançou ao ataque, explorou os cruzamentos e obrigou a defesa azulina a trabalhar intensamente, com diversas bolas levantadas na área de Marcelo Rangel.
Em uma delas, Edenilson cabeceou para diminuir o placar. O gol colocou o Leão sob pressão na reta final, mas não foi suficiente para impedir a vitória. Mesmo depois de ser vazado, o Remo conseguiu limitar as oportunidades mais perigosas do adversário e sustentou o resultado até o apito final.
A vitória também passou por uma mudança importante em relação a jogos anteriores: a eficiência nas finalizações. O Remo vinha desperdiçando oportunidades e pagando caro por isso. Contra o Botafogo, aproveitou melhor as chances que criou.
O golaço de Picco é um exemplo disso. Não era uma finalização simples, mas o argentino conseguiu transformar a oportunidade em um lance decisivo para o resultado.
É uma vitória que também premia o trabalho de Thiago Carpini. O treinador vinha tentando tornar o Remo mais competitivo, e a equipe já dava sinais de organização em diferentes momentos do campeonato. Faltava, porém, transformar esse desempenho em vitórias. Contra o Botafogo, conseguiu.
Thiago Carpini — Foto: Samara Miranda / Ascom Remo
A situação do Remo no Brasileirão continua delicada, e a permanência na Série A ainda parece muito difícil. Uma vitória, isoladamente, não muda o tamanho do desafio, mas pode renovar a confiança de um elenco que passou meses sem conseguir comemorar um resultado positivo.
Mesmo ocupando a zona de rebaixamento durante boa parte do campeonato, o Leão não fez uma campanha marcada apenas por atuações ruins. Houve partidas em que a equipe realmente pareceu sem saída, mas também houve jogos nos quais competiu até os últimos minutos e deixou a impressão de que poderia ter conquistado mais pontos.
Contra o Botafogo, o Remo reuniu organização defensiva, intensidade, eficiência e capacidade de suportar a pressão. Não foi uma atuação perfeita, mas foi uma vitória construída com méritos.
A permanência ainda está distante. O que o Leão mostrou no Mangueirão, porém, é que pode competir. E, nesta altura do campeonato, voltar a vencer era o primeiro passo para manter viva a esperança.