Por Rodrigo França, especial para o ge — Cidade do México
30/10/2026 08h00 Atualizado 30/10/2026
Jornalista Rodrigo França faz análise prévia do GP do México de F1 2026
O GP do México de F1, que vai ser disputado nesse domingo no Autódromo Hermanos Rodríguez, tem tudo para definir o Mundial de 2026 em favor de Kimi Antonelli: o italiano já garantiu o título com uma vitória impressionante em Austin, deixando a tabela com quase 99% de probabilidade de ser campeão. Afinal de contas, faltam cinco corridas e ele só precisa de dois pontos nessas provas – é uma mera formalidade decretar o piloto da Mercedes como o mais jovem campeão da história da F1, com apenas 20 anos de idade.
Não bastasse a facilidade de conseguir um nono lugar em cinco provas com uma Mercedes, o cenário para impedir o título ainda exige que George Russell ou Lewis Hamilton precisem ganhar as cinco provas seguidas. Ou seja, um cenário realmente muito, muito improvável.
Kimi Antonelli comemora vitória nos Estados Unidos, com Leclerc ao fundo — Foto: Jerome Miron/Reuters
Nesta quinta-feira, no dia de mídia no México, um leve susto: Kimi Antonelli passou mal e foi liberado pela FIA das atividades de imprensa, mas deve retornar amanhã para pista normalmente – Valtteri Bottas também não se sentiu bem, algo que já aconteceu com outros pilotos em GPs do México em anos anteriores.
Analisando antes do início dos treinos livres, o GP do México deve ter Mercedes novamente brigando pela vitória, mas Russell precisará quebrar uma sequência grande de corridas fora do primeiro lugar para seguir na luta pelo título: o britânico não vence desde Baku.
George Russell em entrevista coletiva antes do GP do México de F1 2026 — Foto: Yuri Cortez/AFP
Em resposta ao ge.globo em Austin sobre o porquê da diferença de performance para o italiano, Russell contou que o carro deste ano exige uma técnica de pilotagem que privilegia o estilo mais agressivo de Antonelli, que freia dentro das curvas e é mais “bruto” no acelerador, enquanto Russell é dos pilotos que conseguem sair mais forte das curvas, carregando velocidade.
De qualquer forma, o britânico precisa achar mais performance do que vimos em Austin, onde ele ficou apenas na oitava colocação enquanto seu companheiro de equipe venceu a corrida. Seria importante para Russell terminar o ano ao menos brigando pelo pódio – onde deve rivalizar com Ferrari e Red Bull.
A briga entre estas três equipes deve deixar o GP do México bem interessante, em cenário parecido com o que vimos na semana passada em Austin. A Ferrari pode até ter neste momento um conjunto mais equilibrado em termos de chassi do que a Mercedes – que tem na unidade de potência seu principal diferencial e também o talento de Antonelli em extrair alguns décimos de segundo extras, assim como Max Verstappen faz na Red Bull.
Ferrari surge como candidata a vencer no GP dos Estados Unidos — Foto: Angela Weiss/AFP
O chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff, deixou claro isso após a vitória em Austin, onde o próprio Antonelli também respondeu ao ge.globo que considerava sua conquista nos Estados Unidos ainda mais importante em termos de performance, mesmo na comparação com Monza, onde largou no final do grid para vencer.
Seria interessante ver a McLaren na briga pela vitória, lembrando que Lando Norris venceu este GP no ano passado. Mas entre as quatro grandes, a atual campeã é quem parece ter ficado um pouco para trás nesta fase do campeonato, e o chefe de equipe, Andrea Stella, já adiantou que apenas em Interlagos e Las Vegas o time deve trazer um maior pacote de atualizações e, com estas novidades aerodinâmicas, pode voltar a brigar com vitórias com Mercedes, Ferrari e Red Bull.
O México também deve ver uma briga intensa no pelotão intermediário com Alpine, Racing Bulls, Audi e Haas. Gabriel Bortoleto não vai participar do treino livre 1, mas foi muito bem no México ano passado, saindo de 16º para marcar um ponto com a Sauber ao chegar em décimo.
Gabriel Bortoleto no dia de mídia do GP do México de F1 2026 — Foto: Clive Mason/Getty Images
O brasileiro sabe que, apesar de não fazer o TL1, terá suas sessão de uma hora para trabalhar no ajuste do carro, que é bem peculiar no México, sobretudo por causa da altitude (a maior do ano, com 2.200 metros acima do mar), que será determinante e de certa forma até uma incógnita nos carros do regulamento 2026, que já tem normalmente uma pressão aerodinâmica menor e devem ficar mais “ariscos” nas curvas do Autódromo Hermanos Rodrigues.
Neste trecho bem sinuoso, o carro da Audi deve ir bem, com um dos melhores chassis do grid. Mas a longa reta será sempre um ponto de atenção para a equipe do brasileiro. Ainda assim, ele tem boa chance de brigar por pontos – como vimos com seu forte ritmo de prova em Austin, onde conseguiu ultrapassar carros deste pelotão, como Racing Bulls, Alpine e Haas.
E o meu palpite de primeira fila vai ser Max Verstappen em primeiro e Kimi Antonelli em segundo.
Infos e horários GP do México de F1 2026 — Foto: Infoesporte