Comentarista de automobilismo do Grupo Globo
Voando Baixo — Rio de Janeiro
31/10/2026 12h08 Atualizado 31/10/2026
A busca por um piloto americano segue firme na Fórmula 1, mas vai ter de esperar ao menos mais uma corrida. Após o primeiro treino livre da sexta-feira, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou que houve um erro no cálculo dos pontos da superlicença de Colton Herta, de 26 anos, reserva da Cadillac. Ele segue a um ponto de ficar apto a conseguir a superlicença, o documento que permite aos pilotos serem titulares na maior categoria do automobilismo. Para cumprir a exigência, o americano deverá andar novamente no primeiro treino livre do GP de São Paulo, na próxima semana.
A confusão ocorreu porque a FIA se baseou no site oficial da Fórmula Indy, que colocava Herta na sexta posição da temporada 2025 da categoria. Mas houve uma atualização e o americano caiu para o sétimo lugar, perdendo um ponto. A Cadillac havia feito a consulta antes do GP da Cidade do México e a FIA admitiu o erro nesta sexta-feira. Duas vezes vice-campeão da Indy nos Estados Unidos, o piloto tentou chegar à F1 pela primeira vez em 2023, pela AlphaTauri, mas não tinha os pontos necessários para a superlicença. Por isso, em 2026, o piloto disputou a Fórmula 2 pela Hitech, enquanto participava de treinos livres com carros da Cadillac na Fórmula 1.
Com o cronômetro zerado, Colton Herta bate no final da classificação da F2 em Madri, na Espanha
Neste momento, Herta tem 39 dos 40 pontos necessários para obter a superlicença. Ou seja: se ele percorrer mais 100 km em um treino livre, alcançará o objetivo. Em Interlagos, para alcançar os 100 km, ele também precisa completar pelo menos 24 voltas com o carro da equipe americana na sessão A de 60 minutos. Com isso, ele ficaria apto a assumir a vaga de titular na Fórmula 1, como previsto em seu "plano de carreira". E segundo informações obtidas em primeira mão pela reportagem do Voando Baixo e do GE.Globo, a intenção da Cadillac é ter Herta como um de seus pilotos em 2027 - pouco importando o desempenho ruim dele na F2.
Histórico de pontos para a superlicença de Colton Herta
E olha que a temporada do americano na Fórmula 2 é decepcionante: é apenas o 19º no campeonato, com 26 pontos., sem pódios ou vitórias. Ainda assim, a Cadillac seguiu com o programa com o piloto americano, fazendo pelo menos quatro treinos livres ao longo do ano. O contrato do americano prevê a ida para a Fórmula 1 se atingidas algumas condições - a principal delas é a pontuação para a superlicença. Além disso, o finlandês Valtteri Bottas tem sido abertamente criticado pelos dirigentes da equipe, chamado de "frio demais" pelo chefe Marcin Budkowski.
Marcin Budkowski, chefe da Cadillac, chegou ao paddock de Austin com chapéu de cowboy — Foto: Simon Galloway/LAT Images
Aliás, foi o próprio Budkowski que jogou luz nesta situação. Ao ser perguntado sobre Colton Herta na última coletiva dos chefes de equipe, em Austin, no Texas, o polonês foi enigmático quanto às chances de um piloto americano ser titular na Fórmula 1 em um curto espaço de tempo.
- Obviamente, ter um piloto americano em uma equipe americana é uma ótima história. Precisa ser o momento certo e o piloto certo. Mas estamos trabalhando nisso. Estamos trabalhando nisso com Colton (Herta). Falta apenas um ponto para ele obter a superlicença. Há alguns talentos americanos realmente empolgantes subindo pelas categorias também. Vimos Ugo Ugochukwu vencer a Fórmula 3. Temos (Sebastian) Wheldon (filho de Dan) chegando à F3 no ano que vem. Então há muito potencial aqui e obviamente vamos analisar isso - disse Budkowski.
Colton Herta ajeita seu capacete antes de ir à pista pela Fórmula 2 em Baku, no Azerbaijão — Foto: James Sutton/F1 via Getty Images
Ou seja: o primeiro treino livre da sexta-feira para o GP de São Paulo será palco - de novo - das 24 voltas mais importantes da carreira de Colton Herta. O americano precisa, primeiro, chegar à quilometragem mágica - 100 quilômetros. Depois, se possível, ter um bom resultado em relação ao companheiro, o finlandês Valtteri Bottas. E, por último, ser consistente e atender aos pedidos dos engenheiros da equipe. Um momento decisivo para o piloto de 26 anos no caminho para a F1.
Vale lembrar que os Estados Unidos não têm um piloto titular na Fórmula 1 desde Logan Sargeant na Williams em 2024 - foi demitido após o GP da Holanda. Já a última vitória de um americano na Fórmula 1 foi conquistada há 48 anos por Mario Andretti, também em Zandvoort, mas em 1978. E o último título estadunidense também foi obtido pela lenda do automobilismo, então na Lotus, nesta mesma temporada. Além de Andretti, apenas Phil Hill foi campeão da F1 pelo país: em 1961, de Ferrari.
Colton Herta se prepara para ir à pista com a Cadillac no primeiro treino livre em Austin, no Texas — Foto: James Sutton/LAT Images
Perfil Rafael Lopes — Foto: Editoria de Arte/ge.globo