Por Gabriel Oliveira e Yago Rudá — São Paulo
02/11/2026 08h00 Atualizado 02/11/2026
Corinthians se reapresenta e inicia preparação para clássico contra o São Paulo
O Corinthians está perto de trocar a empresa responsável pela venda de ingressos para jogos da Neo Química Arena, ciente de que pode enfrentar uma batalha jurídica.
Há um acordo encaminhado para que a Fever seja a nova tiqueteira do clube, substituindo a One Fan, que ameaça ir à Justiça para fazer valer o seu contrato com validade até 2032.
Para mudar a tiqueteira, a diretoria usa como justificativas a suposta prestação inadequada de serviço pela One Fan e a busca por condições financeiras mais favoráveis, além da necessidade da obtenção de dinheiro antecipado para o pagamento de contas, como os três meses atrasados de direitos de imagem do elenco masculino.
Segundo dirigentes corintianos, a Fever cobrará percentuais menores pelo serviço, em comparação com a One Fan, e pagará cerca de R$ 50 milhões ainda neste ano - referentes a luvas, patrocínio e parte do adiantamento. Os percentuais e os valores exatos são mantidos sob sigilo.
Catracas com o sistema de reconhecimento facial para entrada na Neo Química Arena — Foto: Divulgação/Corinthians
Como o mandato do presidente Osmar Stabile termina neste ano, a diretoria irá assinar um memorando de entendimentos (MoU, na sigla em inglês), registrando a intenção de celebrar o contrato definitivo em 2027, já na gestão do novo presidente.
A expectativa era de que a assinatura ocorresse na última sexta-feira, mas o presidente recuou e preferiu pensar sobre o assunto no último fim de semana para tomar uma decisão.
O Corinthians só não deixa o assunto para o ano que vem porque precisa desesperadamente levantar recursos para pagar despesas do dia a dia, como os direitos de imagem, as férias e as premiações em atraso com o elenco, bem como o 13º salário e dívidas em aberto.
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O contrato definitivo terá os termos exatos do novo negócio, como, por exemplo, o posicionamento da marca da Fever no uniforme corintiano e o que será divulgado nele.
Se por acaso o contrato definitivo não for assinado em 2027, o Corinthians terá de devolver os R$ 50 milhões, com acréscimo de 10%.
Torcida do Corinthians contra o Internacional pela Copa do Brasil — Foto: Marcos Ribolli
Não é de hoje que a gestão Osmar Stabile tenta substituir a tiqueteira, contratada em 2022, durante o mandato de Duílio Monteiro Alves.
O Corinthians analisou propostas de Ticketmaster e Ingresse, conforme revelado pelo ge. Mas a revelação dos detalhes das ofertas fez a Ticketmaster, a preferida da diretoria corintiana, desistir do negócio, embora tenha reiniciado as conversas depois.
Nos últimos meses, a diretoria conversou com diferentes empresas interessadas e, com medo de novos vazamentos, chegou a negociar fora dos canais oficiais do clube.
Dentre as propostas, o Corinthians escolheu a Fever porque, segundo a diretoria, apresentou as melhores condições financeiras para o clube.
O ex-diretor de Tecnologia Marcelo Munhões era contrário a contratar uma nova tiqueteira, por considerar que a mudança poderia ser prejudicial à prestação do serviço. Ele também colocava em dúvida os interesses de se trazer outra empresa. Com a demissão dele, neste mês, por alegadas questões políticas, abriu-se caminho para a troca.
O Corinthians enviou diversas notificações à One Fan nos últimos meses, reclamando do serviço, o que a empresa vinha interpretando como uma maneira de o clube preparar a rescisão do contrato. Isso antes mesmo de a negociação com a Fever se tornar pública.
Quando soube do acordo pela imprensa, a One Fan notificou o Corinthians para que não faça a rescisão, que chamou de irregular, e ameaçou ir à Justiça para garantir o cumprimento do contrato. A One Fan contesta que haja falhas na prestação de serviço.
O vínculo prevê pagamento de multa rescisória, que a empresa estima estar na casa dos R$ 30 milhões, e a necessidade de aviso prévio de 12 meses.
Os dirigentes do Corinthians admitem que a discussão pode resultar em ação judicial, mas sustentam estar seguros, recorrendo à suposta má prestação de serviços, inclusive de descumprimento de cláusulas do contrato, o que, na visão deles, dá subsídios para a rescisão.
A One Fan cuida da bilheteria, do Fiel Torcedor e do aplicativo Universo SCCP.
O contrato estipula que a empresa tem direito a 20% da arrecadação bruta com o Fiel Torcedor, a 30% dos produtos digitais do Universo SCCP e a 6% da venda bruta de bilheteria.
O acordo, no entanto, não prevê ganhos financeiros à empresa com os planos Minha Cadeira (considerado o mais rentável financeiramente), Minha Torcida e camarotes.
Existe a possibilidade ainda de a Fever assumir o controle de acesso da Arena, que hoje está a cargo de outra empresa, a Ligatech, em contrato assinado na atual gestão.
Neste caso, a cláusula de rescisão prevê o pagamento apenas dos equipamentos colocados pela empresa no estádio, o que é estimado em R$ 500 mil.