Por Rodrigo França, especial para o ge — Cidade do México, México
02/11/2026 14h00 Atualizado 02/11/2026
Rodrigo França analisa GP que garantiu o 1º título mundial de Antonelli
Agora é oficial: Kimi Antonelli é o mais jovem campeão da história da Fórmula 1. Com apenas 20 anos, o piloto da Mercedes escreve o nome no livro de recordes da categoria e conquista o título no melhor estilo de seu grande ídolo, Ayrton Senna.
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Antonelli faz questão de mostrar sua reverência ao brasileiro, com homenagens desde as categorias de base e mantendo o número 12 no carro para o ano que vem, ao invés do 1 que poderia usar como campeão - a última vez que o 12 ganhara um título na F1 tinha sido justamente na primeira conquista de Senna, em 1988. Comparar o italiano a Ayrton, no entanto, é algo que nem mesmo Kimi se sente confortável em fazer, por estar apenas no início de sua jornada na principal categoria do automobilismo mundial.
Kimi Antonelli celebra título inédito da F1, no GP do México de 2026 — Foto: YURI CORTEZ/Reuters
De fato, são carreiras em momentos e épocas diferentes da F1, mas a conquista de Antonelli no Mundial de 2026 foi talvez a homenagem mais significativa que o italiano poderia fazer a Senna. Ao contrário do brasileiro, que começou a carreira na Toleman e depois teve três anos na Lotus, Kimi chegou em um time já com condição de brigar por vitórias – e, em 2026, foi a equipe dominante com o novo regulamento que trouxe a maior mudança de regras em 76 anos de categoria.
Kimi Antonelli com boné que Ayrton Senna usava na F1 — Foto: Emmanuele Ciancaglini/Getty Images
Correndo com um companheiro de equipe mais experiente, Antonelli seguiu a receita que deu o primeiro título mundial a Senna em 1988, quando o brasileiro estreou na McLaren, com o carro dominante da temporada, superando um parceiro mais velho, Alain Prost – que já era bicampeão mundial (1985 e 1986).
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Antonelli começou 2026 atrás, com Russell vencendo na Austrália, mas emendou uma sequência impressionante de triunfos – inclusive em disputas diretas com o companheiro de equipe, como no Canadá. O italiano, que foi superado de forma constante pelo britânico em 2025, mostrou que não aceitaria o papel de escudeiro ou de segundo piloto e conseguiu adaptar seu estilo aos novos carros de 2026, obtendo uma importante vantagem. Quando McLaren, Red Bull e Ferrari se mostraram mais competitivas, Antonelli já tinha uma gordura confortável na tabela.
No GP do México, a conquista ainda teve um sabor especial porque veio com pódio, sendo erguido por dois dos maiores pilotos de todos os tempos, Lewis Hamilton e Max Verstappen. Foram 12 títulos reunidos na premiação – e Antonelli comemorou justamente com os pilotos do grid atual que mais o inspiram.
Kimi Antonelli no pódio com Max Verstappen e Lewis Hamilton, no GP do México da F1 2026 — Foto: Clive Rose/Getty Images
Aliás, a ida de Hamilton para a Ferrari ajudou Antonelli a conquistar o título desta temporada, porque acelerou a estreia do italiano na Mercedes em 2025. Kimi só precisava de um nono lugar na Cidade do México, mas manteve o estilo de ir para cima e buscar a vitória – como fez ao largar nas últimas colocações, em Monza, e também em Austin, onde de fato sacramentou a conquista da temporada – transformando o GP do último domingo era uma mera formalidade.
A briga pela vitória no México ficou entre dois nomes da história da F1: Verstappen e Hamilton. O piloto da Ferrari era o grande favorito para a corrida: largou na pole, mas acabou sofrendo na disputa com seu companheiro de equipe, Charles Leclerc, e os dois abriram espaço para a vitória do holandês da Red Bull. Já passou da hora da Ferrari resolver essas disputas internas – no domingo, o triunfo de Hamilton viria de forma tranquila, especialmente porque no México ter “ar limpo”, liderando a corrida, significaria outra prova para o britânico. E Verstappen fez aquilo que a gente sempre alerta: mesmo se não tiver o melhor carro, basta os rivais “baterem cabeça”, que ele não perdoa e vence.
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O domingo também foi excelente para Gabriel Bortoleto, voltando a pontuar na F1 com o oitavo lugar, igualando o melhor resultado da Audi na categoria e quebrando um longo jejum fora do top-10 (desde julho, na Bélgica). O brasileiro fez uma corrida muito boa, com estratégia interessante, boas largadas e um ritmo de prova impressionante.
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Gabriel Bortoleto no GP do México de F1 2026 — Foto: Alfredo Estrella/AFP
O resultado é ainda mais expressivo levando em conta que Gabriel não conseguiu treinar na sexta-feira e no sábado. Foi para a classificação no escuro, saindo na sétima fila. Com o oitavo lugar e quatro pontos no campeonato, superando na tabela seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, Bortoleto vem bem embalado para a corrida em Interlagos, onde o carro da Audi tende a andar novamente no top-10.