Por Breno Peçanha e Bruna Rodrigues — Rio de Janeiro
02/11/2026 17h00 Atualizado 02/11/2026
Kimi Antonelli se tornou o campeão mais jovem da história da Fórmula 1 no domingo, no GP do México. No entanto, a consagração com quatro corridas de antecedência não se construiu da noite para o dia: exigiu maturidade para aprender com os erros de 2025, temporada de estreia do italiano na categoria; personalidade, para bater um companheiro de equipe mais experiente... e muita velocidade, é claro.
Kimi Antonelli com a bandeira da Itália depois de garantir o título mundial da F1 2026 — Foto: Yuri CORTEZ / AFP
Ao longo do ano, Antonelli construiu a trajetória rumo ao título não só com triunfos calcados na força do carro da Mercedes, mas também com exibições históricas e inesperadas. Abaixo, o ge lista cinco momentos que definiram e foram cruciais para a conquista do prodígio de Bolonha:
Kimi Antonelli vence o GP da China | Melhores momentos | Fórmula 1
Antes mesmo do início da temporada de 2026, pilotos e imprensa já davam a Mercedes como favorita ao título de construtores e de pilotos. No entanto, pouco se falava sobre Kimi Antonelli como um candidato real: o nome que surgia com favoritismo era o de George Russell, companheiro do italiano na equipe alemã.
O status do britânico só aumentou após a primeira corrida do ano, vencida por Russell na Austrália. No entanto, Antonelli teve sua primeira oportunidade de brilhar na classificação para o GP da China, em que George sofreu com problemas mecânicos durante a última etapa da definição do grid.
Antonelli cravou a pole position, à frente de Russell. Depois de perder a liderança para Lewis Hamilton na largada, o jovem rapidamente retomou a ponta e não soltou mais, enquanto Russell ficou atrás das Ferraris em parte da disputa. No fim, o italiano deu um susto: travou os pneus na curva 14 e perdeu tempo em relação ao companheiro de equipe. Mas a vitória ficou mesmo com o garoto.
Kimi Antonelli segura bandeira da Itália em comemoração a triunfo inédito na F1, no GP da China de 2026 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
Aos 19 anos, Antonelli se tornou o segundo vencedor mais novo da história da Fórmula 1. Subiu no carro, chorou muito na comemoração e, mais do que isso, ganhou confiança para desafiar Russell no restante da temporada.
– Muito obrigado. Eu estou sem palavras. Estou prestes a chorar, muito obrigado à minha equipe, porque eles me ajudaram a alcançar esse sonho – disse Antonelli, que começou a chorar na sequência.
A temporada continuou com mais duas vitórias de Antonelli, nos GPs do Japão e de Miami. Entretanto, foi na quinta corrida do ano que o italiano deixou claro que não era só um intruso na briga pelo título. Na classificação dominada pela Mercedes, foi Russell quem levou a melhor e largou na ponta, com Kimi em segundo.
Entretanto, o que se viu na corrida foi um show dos dois pilotos das Flechas de Prata. A prova começou com a pista mudando do molhado para o seco, e Lando Norris assumiu a liderança na largada – enquanto Russell perdeu duas posições. Porém, o piloto da McLaren rapidamente foi aos boxes colocar pneus macios, e Antonelli subiu para a primeira posição.
A partir daí, o que se viu foi uma batalha intensa entre os dois pilotos da Mercedes. Russell assumiu a ponta após um erro de Antonelli, mas levou o troco do italiano. Na sequência, recuperou a primeira colocação, mas os dois pilotos andaram lado a lado por mais de 25 voltas, com disputas belíssimas e toques entre os dois carros.
George Russell e Kimi Antonelli tocam rodas em disputa no GP do Canadá da F1 em 2026 — Foto: Bryn Lennon - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Na volta 29, azar para Russell: a Mercedes do britânico teve uma falha na bateria, e o piloto abandonou a prova. Melhor para Antonelli, que venceu a corrida com tranquilidade e abriu 43 pontos de vantagem. Embora a disputa tenha sido encerrada por um problema no monoposto, o triunfo de Kimi foi o quarto seguido e lhe rendeu uma enorme vantagem psicológica, que se manteve durante a temporada.
Logo depois da corrida no Canadá, a Fórmula 1 se encaminhou para a corrida mais glamourosa do campeonato: o GP de Mônaco. Ganhar no Principado é especial para qualquer piloto – mais ainda para um que nunca conseguiu esse feito. A Mercedes, porém, não chegava para a prova como favorita: era a Ferrari quem detinha o posto, dadas as características do carro e da pista.
De fato, os dois carros da Ferrari andaram bem nos treinos e na classificação, mas ficaram apenas na segunda fila. Kimi Antonelli cravou a pole position com uma bela volta, seguido pela Red Bull do tetracampeão Max Verstappen, que viria a abandonar a prova ainda na largada.
Sem a concorrência do tetracampeão e com George Russell largando apenas em sexto na travadíssima pista, Antonelli sobrou e teve a exibição mais dominante da temporada. Enquanto muitos pilotos levavam punições por excesso de velocidade nos boxes – com medição incorreta e que deu muito pano para manga – Kimi passava alheio a tudo isso.
Kimi Antonelli comemora a vitória no GP de Mônaco de F1 2026 — Foto: Alex Bierens de Haan/LAT Images
Com um ritmo alucinante, o piloto da Mercedes colocou uma volta de vantagem em quase todo mundo: inclusive em Russell. A distância final para o vice-líder, Lewis Hamilton, foi de apenas seis segundos, mas por causa dos dois safety cars na parte final da corrida. Antes, Antonelli chegou a colocar 30 segundos de vantagem sobre o ferrarista. Um passeio de Antonelli, que liderou de ponta a ponta e ganhou a quinta corrida seguida na temporada.
O momento mais impressionante dessa lista. Apesar de toda a empolgação por correr em casa, Antonelli teve que lidar com um grande problema: a Mercedes trocou o motor do carro do prodígio. Como a mudança extrapolou o limite estabelecido pela FIA, Kimi precisou largar do fundo do grid, na 19ª colocação.
Contudo, o que parecia o fim do sonho de vencer em casa se tornou o início de uma história épica. Na volta 4, Antonelli já ocupava o 12º lugar quando Charles Leclerc bateu forte e causou uma bandeira vermelha. Na relargada, mais uma boa saída fez Kimi saltar para o oitavo lugar e colocar pressão no pelotão da frente.
De forma impressionante, Antonelli começou a deixar os adversários para trás, um por um: Pierre Gasly, Oscar Piastri, Lewis Hamilton e o vice-líder Max Verstappen, aproveitando a disputa do holandês com George Russell pela liderança. Não demorou muito para o italiano conseguir o que parecia extremamente improvável: na volta 19, ele atacou o companheiro de equipe no retão de Monza e tomou a liderança.
Kimi Antonelli cruza a linha de chegada no GP da Itália de F1 — Foto: REUTERS/Anna Szilagyi
Mas a história não acabou ali. Russell persistiu, tentou algumas vezes e, apesar de todo o esforço de Antonelli, recuperou a ponta na volta 24. O britânico se manteve em primeiro lugar por boa parte da prova, enquanto o italiano foi aos boxes e colocou um novo jogo de pneus, caindo para sexto. Mais uma vez, porém, a escalada foi rápida.
Depois de ultrapassar Gasly, Norris, Hamilton e Piastri, Antonelli voltou ao segundo lugar e, com pista limpa, passou a tirar rapidamente a vantagem de Russell na liderança. A cinco voltas do fim, um momento tenso: Kimi tentou ultrapassar o britânico na curva 1 e parou na brita, perdendo tempo. Porém, o ritmo do italiano era muito superior, e a ultrapassagem foi consumada sem dificuldade na volta seguinte.
A vitória fez até os torcedores da Ferrari celebrarem pelo piloto da casa, além de ter encerrado um jejum de 60 anos sem triunfos de um italiano em Monza. Além disso, Kimi teve a segunda vitória de mais longe no grid na história, atrás apenas de John Watson, que se classificou para o GP do Oeste dos Estados Unidos de 1983 em 22º e ganhou. Um dia para a história da Fórmula 1.
Kimi Antonelli com o troféu do GP da Itália de F1 — Foto: REUTERS/Jakub Porzycki
Não podia faltar. Depois de ganhar nos Estados Unidos em uma corrida igualmente brilhante – e que merece uma menção honrosa nessa lista – o italiano chegou praticamente campeão ao México: precisava apenas de dois pontos para se consagrar e levar a taça.
Diferentemente das outras ocasiões em que viu o sonho se aproximar, Antonelli sentiu a tensão. Para piorar, ainda teve que lidar com uma indisposição que não o deixou nas melhores condições no fim de semana. As atuações no Autódromo Hermanos Rodríguez não foram das mais inspiradas, é verdade, mas serviram ao propósito.
Kimi Antonelli - GP do México - Fórmula 1 — Foto: REUTERS/Raquel Cunha
Depois de garantir o quarto lugar na classificação, resultado mais do que suficiente para conquistar o título, Antonelli fez uma prova madura e soube segurar os nervos nas 71 voltas: administrou bem os pneus e se manteve longe de confusão quase sempre.
Quase, porque o piloto da Mercedes teve um belo momento para chamar de seu: depois da relargada causada pelo forte acidente de Valtteri Bottas, o prodígio partiu para cima de Charles Leclerc com uma belíssima ultrapassagem e assumiu a terceira posição, mantida até o final.
Antonelli ultrapassa Leclerc e assume terceira posição
Ao garantir uma vaga no top 3, Kimi protagonizou um pódio histórico com Lewis Hamilton e Max Verstappen. Carregado nos ombros pelos dois, se colocou de vez no panteão de ícones da Fórmula 1.