Por Rodrigo Coutinho — Rio de Janeiro/RJ
02/11/2026 22h03 Atualizado 02/11/2026
A reação que deixou o Santos com uma das quatro melhores campanhas do 2º turno do Brasileirão está em cheque. E a derrota para o Bragantino por 2x1, em Bragança Paulista, na noite desta segunda-feira, é simbólica neste recorte do campeonato. Além de ter dificuldades em momentos diferentes com a intensidade dos donos da casa, o Peixe perdeu a oitava posição na tabela para o adversário.
O bisonho gol contra de Rodinei logo aos três minutos encaminhou muito do que foi o cenário da partida, mas as questões que fizeram o Santos sair derrotado vão além disso. Faltou competitividade na parte defensiva e capacidade de impor o tipo de jogo que mais favorece o Alvinegro Praiano. O Santos pode terminar a rodada a dez pontos da faixa de Pré-Libertadores.
Vagner Mancini contou com o retorno de Tiago Volpi ao gol, mas não teve Fernando. Mosquera assumiu a ponta-esquerda. O restante do time foi o mesmo que bateu a Chapecoense. Gabriel foi outro a retornar, mas começou entre os reservas.
Cuca repetiu os mesmos jogadores do empate por 0x0 com o Palmeiras, mas distribuiu a equipe de uma maneira diferente taticamente. Oliva, que na ausência de Neymar manteve-se na equipe, foi deslocado para a esquerda para ser o marcador de Lucas Barbosa. Barreal seguiu Ryan. Cebolinha começou pela direita. Arthur voltou de lesão depois de um mês fora e começou no banco
Como Bragantino e Santos iniciaram a partida que marcou a abertura da 34ª rodada do Brasileirão 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho
A modificação tática inicial proposta por Cuca tinha um motivo. Ele sabia do potencial do lado direito do ataque do Bragantino, e isso não demorou a ser comprovado. Por mais que Rodinei tenha feito um gol contra bizarro e praticamente inexplicável ao jogar contra a própria meta o cruzamento de Ryan logo aos três minutos, o volume ofensivo pelo flanco destro do Massa Bruta se justificou rapidamente.
Barreal era o responsável pela marcação de Ryan. Oliva se deslocava para seguir Lucas Barbosa. Cebolinha foi posto pelo lado direito santista para deter Juninho Capixaba. Gustavo Henrique marcava Wallace Yan ou Eduardo Sasha. A depender de quem estivesse mais próximo no início das jogadas. João Alencar pegava o outro atacante e Luan Peres sobrava. Rodinei tinha o duelo com Mosquera.
Bontempo e Coutinho dividiam a marcação de Fabinho e Eric Ramires, e Gabigol combatia a dupla de zaga. Os encaixes não funcionaram tão bem e Cuca desfez a estratégia inicial depois dos 15 minutos. Everton Cebolinha voltou ao lado esquerdo. Bontempo ao direito no 4-2-3-1 mais usual do time. Barreal fez a lateral e Oliva compôs naturalmente a dupla de volantes com Gustavo Henrique.
Os encaixes e perseguições seguiam, mas agora alguns jogadores tinham alvos diferentes. O que mudou também foi a dinâmica da partida. O gol sofrido fez com que o Santos assumisse as rédeas da posse de bola no campo de ataque. Com seus atletas em posições mais originais, começou a buscar combinações para entrar na defesa anfitriã.
Rodinei em Bragantino x Santos — Foto: Ari Ferreira/Bragantino
Além do bom bloqueio feito pelo Bragantino, que permitia poucas entradas em sua área, o Santos não contou com a precisão de alguns jogadores que costumam render melhor regularmente. Principalmente Everton Cebolinha e Rodinei. O ponta-esquerda participou da bela trama do gol de empate, mas errou muito mais do que acertou na 1ª etapa.
Philippe Coutinho era o destaque dos visitantes. Acertou dois bons chutes da entrada da área para testar o seguro Tiago Volpi. Logo depois marcou um lindo gol ao receber de Barreal e tabelar com Gabigol. Ainda driblou Gustavo Marques e bateu no canto esquerdo para marcar. Gabigol, Bontempo e Oliva foram subindo de produção com o avançar do 1º tempo.
O Bragantino deixou de ter frequência no campo de ataque por pouco mais de 20 minutos, mas o empate reativou sua veia ofensiva. Precisou de pouco tempo para voltar ao comando no placar. Novamente em uma boa trama entre ponta e lateral pelo flanco, mas desta vez o esquerdo. Mosquera recebeu de Juninho Capixaba, driblou João Alencar, e cruzou para Wallace Yan marcar de cabeça.
Chamou a atenção a desordem de posicionamento da defesa do Peixe. A mobilidade do Massa Bruta bagunçava os encaixes de marcação dos visitantes, mas isso não apareceu com tanta frequencia diante do cenário de mais posse de bola do Santos. Ryan e Lucas Barbosa seguiram incomodando ao receberem inversões pelo lado direito.
Wallace Yan em Bragantino x Santos — Foto: Ari Ferreira/Bragantino
Sem substituições após o intervalo, o 2º tempo começou bem aberto. O Bragantino manteve a postura agressiva com a bola da reta final da 1ª etapa, e espaços para transições rápidas surgiram nos dois lados. Gabigol chegou perto de empatar em uma delas.
Isidro Pitta na vaga de Eduardo Sasha foi a primeira mexida de Vagner Mancini antes mesmo dos 15 minutos. Certamente queria explorar os espaços de contragolpe. Na primeira participação do paraguaio em uma jogada desta natureza, ele serviu Wallace Yan, que parou em Diógenes. A resposta de Cuca foi pôr Arthur na vaga de Oliva. Buscou ter mais controle da posse e aumentar a qualidade.
De fato o Santos desacelerou e ficou mais tempo com a bola, mas isso não significou mais criatividade imediata. O Bragantino manteve a postura de contra-atacar com muito ímpeto. Ryan seguia atropelando Barreal nos duelos pelo lado esquerdo de defesa do Peixe. Ele criou uma jogada rápida que quase terminou em outro gol de Wallace Yan.
Cuca tirou Barreal logo depois. O argentino pediu para sair com dores na coxa. Rafael Gonzaga entrou na lateral-esquerda. Já Mancini tomou providências para manter a intensidade de seu meio-campo bem alta. Matheus Fernandes e Gabriel entraram nas vagas de Fabinho e Eric Ramires. Dupla de volantes trocada.
Barreal em campo pelo Santos — Foto: Raul Baretta/Santos FC
Mesmo com a melhora de Everton Cebolinha após o intervalo, o Santos não conseguia gerar as conexões entre suas peças ofensivas com frequência. Gabigol caiu de produção. E o desgaste físico de Coutinho e Bontempo era visível. Cuca sacou os dois e Cebolinha pouco depois dos 30 minutos. Caballero, Rollheiser e Rony entraram. Mais velocidade e força. Menos qualidade técnica.
Mancini mudou o esquema de sua equipe para os minutos finais. Álix Vinícius entrou como volante e compôs o meio com Matheus Fernandes e Gabriel. Wallace Yan saiu. Mosquera também foi sacado para a entrada de Herrera na ponta-esquerda. A pressão santista obviamente se estabeleceu na sequência da partida.
Rony e Rafael Gonzaga deram trabalho ao sistema defensivo local. O atacante foi derrubado por Ryan dentro da área, mas o pênalti não foi marcado. O lateral achou Gabigol em bom cruzamento, mas o arremate do camisa 9 não foi preciso. Eficácia foi o que faltou também a Rollheiser ao cabecear um cruzamento nos acréscimos. Volpi defendeu com tranquilidade.
Apesar de ser mais perigoso em contragolpes, o Bragantino conseguiu alguns momentos de retenção de bola e trocas de passe no ataque durante a 2ª etapa. Foi a terceira vitória do time nas últimas seis rodadas. 11 pontos conquistados de 18 possíveis, quase o dobro do Santos no mesmo período.