Por Breno Peçanha e Bruna Rodrigues — São Paulo
03/11/2026 11h00 Atualizado 03/11/2026
Hamilton completará sua corrida 400 na Fórmula 1 no GP do Brasil, em Interlagos
O piloto abre a volta, contorna o S do Senna, passa pela Curva do Sol e, depois de cruzar a Reta Oposta, chega à Descida do Lago. Se você já assistiu a uma corrida de Fórmula 1 em Interlagos, com certeza se deparou com esses e outros nomes marcantes das curvas no Autódromo José Carlos Pace.
Mas você sabe por qual razão cada uma delas recebeu esse nome? Como preparação para o GP de São Paulo deste ano, que ocorrerá no próximo domingo (8), o ge mostra a explicação de cada uma das curvas do traçado de 4,309km. Veja abaixo!
Clima em Interlagos antes da classificação — Foto: Wesley Felix
As duas primeiras curvas do circuito são as mais famosas. O S do Senna não existia na configuração original de Interlagos, que foi sede da Fórmula 1 no Brasil entre 1972 (com o primeiro GP de exibição) e 1980. Depois, a casa da categoria em solo brasileiro passou a ser Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e a F1 só retornou a São Paulo em 1990.
Por ocasião do retorno, o traçado original de 7,960km foi reduzido quase pela metade. Algumas curvas deixaram de ser utilizadas, e outras foram criadas: caso do S do Senna.
Largada da corrida sprint no GP de São Paulo 2024 — Foto: Getty Images
A homenagem ao tricampeão se deu por dois motivos; primeiro, porque foi Ayrton quem sugeriu que ela saísse da antiga curva 1 direto para a Curva do Sol. Antes, o trecho era de alta velocidade e desembocava na curva 2, que não existe mais. Segundo, porque o formato em S remete à letra inicial do sobrenome da lenda do automobilismo.
Curiosamente, o próprio Senna queria que outro piloto fosse homenageado no nome da curva: Chico Landi, um dos pioneiros do Brasil na Fórmula 1. E o então piloto da McLaren acabou nem gostando do resultado:
– Não é nada disso. Eu queria um esse de alta velocidade em que você viesse no final da reta dos boxes, em sexta marcha, fizesse o esse em quarta marcha, alguma coisa parecida com o que tem no México, usando o declive. Não era chegar aqui e parar – disse Senna, em declaração reproduzida pelo livro "Ayrton, o herói revelado", de Ernesto Rodrigues.
A primeira curva mantida desde o traçado original. O nome do trecho também remete a uma curiosidade histórica: hoje percorrido no sentido anti-horário, Interlagos foi pensado para que os carros andassem no sentido horário. Essa curva era contornada dessa maneira, e os raios de sol atrapalhavam a visão dos pilotos – o que rendeu o batismo relacionado a essa característica.
Curva do Sol virou cemitério de carros em 2003 — Foto: Getty Images
Ao saírem da Curva do Sol e passarem pela Reta Oposta, os pilotos chegam à Descida do Lago, uma das principais zonas de ultrapassagem da pista. O trecho que compreende as curvas 4 e 5 tem esse nome por ser a mais próxima do lago que há no Autódromo de Interlagos.
No traçado original, a curva era contornada no sentido oposto; por causa disso, o nome antigo do trecho era Subida do Lago.
Verstappen e Hamilton disputaram posição de forma polêmica na Descida do Lago, em 2021 — Foto: Mercedes-AMG/LAT Images
Outra curva que sobreviveu às mudanças no traçado de Interlagos ao longo das décadas. Essa parte do circuito tem esse nome por causa do formato, semelhante ao de uma ferradura. Simples assim.
Ferradura, Laranjinha, Pinheirinho e Bico de Pato — Foto: José Cordeiro/SPTuris
Essa curva tem uma história curiosa. Antes da reforma de Interlagos, ela era chamada apenas de Laranja – e o nome tinha a ver com a característica do local. Os pilotos não conseguiam enxergar bem o ápice da curva, e os mais inexperientes erravam ou tiravam o pé do acelerador. Na época, os novatos eram chamados de "laranjas", por isso o nome.
Com as mudanças no traçado, a antiga curva foi encurtada e passou a ser chamada de Laranjinha.
Já existia no traçado utilizado na década de 70, ligando o Laranja (ou Laranjinha) ao Pinheirinho. Tem esse nome devido ao formato, que remete à letra "S".
O trecho recebeu esse nome pois havia um par de pinheiros localizados na área de escape. As árvores não estão mais lá: foram retiradas por questões de segurança, a pedido do bicampeão Emerson Fittipaldi. O batismo foi mantido.
Chegando à parte final do circuito, o Bico de Pato tem esse nome por seu formato, semelhante... a um bico de pato. Os pilotos aceleram forte por um curto período de tempo ao saírem do Pinheirinho, mas precisam frear logo em seguida para contornar a curva de baixa velocidade, que leva ao Mergulho.
Apesar do nome e de suceder a curva Bico do Pato – um animal aquático – a curva não tem nada a ver com água. O trecho foi batizado desta forma devido à diferença de elevação em relação à anterior.
Ao sair do Bico de Pato, a sensação para quem está acelerando é de que o carro está mergulhando rumo à próxima curva. Por isso o nome.
Curva do Mergulho no Autódromo de Interlagos — Foto: José Cordeiro/SPTuris
No traçado original de Interlagos, o anel externo da pista era composto por curvas que formavam praticamente um desenho oval. A antiga curva 3 possuía uma ligação direta com a Subida dos Boxes, embora na Fórmula 1 os pilotos não fizessem esse trajeto: eles saíam do trecho rumo à extinta curva 4 e à Ferradura.
Esse ponto de ligação entre o oval e a parte mista do circuito ganhou o nome de Junção, mantido até hoje – ainda que as antigas curvas não estejam mais presentes.
Hamilton ultrapassou Glock na Junção para ser campeão de forma dramática em 2008 — Foto: Getty Images
A curva que encerra o circuito e leva à reta principal. O nome é autoexplicativo: o trecho dá acesso à entrada dos boxes. Uma curiosidade: em 2010, a prefeitura de São Paulo fez uma homenagem e passou a chamar a reta de "Reta de Chegada Emerson Fittipaldi".
Verstappen após contornar a Subida dos Boxes no GP do Brasil de 2016 — Foto: Clive Mason/Getty Images