Por Redação do ge — Campinas, SP
06/11/2026 08h35 Atualizado 06/11/2026
Técnico Elio Sizenando entra na justiça contra o Guarani
O auxiliar técnico Lucas Andrade, que trabalhou com Elio Sizenando no Guarani, acionou o clube na Justiça por ausência de pagamentos. O profissional cobra R$ 58.886,66 em uma ação distribuída na 4ª Vara do Trabalho de Campinas.
Guarani não tem previsão de pagar ao elenco os salários atrasados
A reclamação inclui os valores referentes aos dias trabalhados em agosto e o pagamento de verbas rescisórias, como 13º salário e férias proporcionais. Lucas também pede o pagamento de multas, depósitos do FGTS e indenização pela quebra antecipada do contrato, que tinha validade até 31 de outubro.
A defesa do auxiliar, representada pelo advogado Wallace Félix Cabral Silva, solicita ainda que os créditos discutidos no processo não sejam incluídos na Recuperação Judicial do Guarani. O argumento é de que as obrigações são posteriores ao pedido de recuperação e, portanto, não devem fazer parte do parcelamento das dívidas submetidas ao procedimento.
Lucas Andrade, ex-auxiliar do Guarani — Foto: Raphael Silvestre
O mesmo pedido foi apresentado nas ações movidas pelo ex-treinador Elio Sizenando e pelo também ex-auxiliar Henrique Lima.
Atualmente no Capivariano, Lucas Andrade trabalhou no Guarani entre março e agosto. Ele acompanhou Sizenando em 18 das 19 rodadas da primeira fase da Série C do Campeonato Brasileiro. A equipe terminou a campanha com sete vitórias, seis empates e cinco derrotas.
A crise financeira fez o Guarani voltar a conviver com uma situação que não era registrada desde o período entre 2019 e 2021: atrasos salariais que levam jogadores e integrantes da comissão técnica a buscar a Justiça para cobrar pagamentos.
Rômulo Amaro, presidente do Guarani, conversa com o executivo Carlos Frontini — Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC
Na gestão de Rômulo Amaro, o clube voltou a enfrentar esse cenário em meio a uma transição política e administrativa. Os processos trabalhistas protocolados entre setembro e outubro de 2026 já representavam mais de R$ 4,64 milhões em valores reivindicados. Com a inclusão da ação de Lucas Andrade, o total dos seis casos mencionados chega a R$ 4,7 milhões.
Isaque e Emerson entram na Justiça e pedem rescisão de contrato no Guarani
O Guarani passou por uma transição turbulenta na presidência em 2019. Desgastado pela gestão e diante da possibilidade de sofrer um processo de impeachment, Palmeron Mendes Filho renunciou ao cargo. Pouco antes, o vice-presidente Assis Eurípedes também havia pedido afastamento. Ricardo Moisés, então integrante do Conselho de Administração, assumiu provisoriamente a vice-presidência e, na sequência, a liderança do clube.
A instabilidade teve reflexos financeiros nos anos seguintes, com atletas acionando a Justiça para cobrar vencimentos atrasados. Depois desse período, o Guarani estabeleceu os pagamentos em dia como prioridade, compromisso reforçado por Rômulo Amaro quando assumiu a presidência, em outubro de 2024.
Presidente do Guarani vê SAF como caminho para reconstrução
A situação voltou a se agravar em meio a um novo processo de transição. Depois de uma eleição interrompida por decisão judicial em julho, o clube passou a discutir a mudança do modelo associativo para o empresarial. A proposta de implantação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), apresentada pelo empresário Roberto Graziano, será votada pelos associados em 19 de novembro.
A expectativa é de que outros jogadores também recorram aos tribunais para cobrar os pagamentos, o que pode ampliar o passivo trabalhista e aumentar a pressão sobre o Guarani. Internamente, a implantação da SAF é vista como uma possibilidade para amenizar a situação financeira.
Em meio à crise, o presidente Rômulo Amaro ainda não se manifestou oficialmente à torcida desde a eliminação do Guarani na Série C, no fim de agosto.