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Turma dos Pacotinhos: conheça projeto social que ensina patinação a crianças em São José dos Campos

Por Danilo Sardinha — São José dos Campos, SP 02/09/2026 06h00 Atualizado 02/09/2026 Conheça a Turma dos Pacotinhos, projeto social que ensina patinação em São José dos Campos A reportagem do ge chegou ao Parque Alberto Simões, na Zona Norte de São José dos Campos…

Turma dos Pacotinhos: conheça projeto social que ensina patinação a crianças em São José dos Campos
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Por Danilo Sardinha — São José dos Campos, SP

02/09/2026 06h00 Atualizado 02/09/2026

Conheça a Turma dos Pacotinhos, projeto social que ensina patinação em São José dos Campos

A reportagem do ge chegou ao Parque Alberto Simões, na Zona Norte de São José dos Campos (SP), junto com os primeiros pingos de chuva. As crianças que andavam de patins na pista correram para a área coberta, ameaçando o início da atividade. Mas logo o tempo abriu. Nuvens claras surgiram no céu e a garotada voltou rapidamente para o asfalto. Afinal, era domingo, dia de a "Turma dos Pacotinhos" dominar o local.

Toda tarde de domingo é assim. Mais de 50 crianças, de diferentes idades, vão à pista de skate do parque para participar desse projeto social de patinação, que nasceu do amor entre um empresário e seu afilhado.

Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

Em dezembro de 2025, Davis Tomé, de 49 anos, quis presentear o afilhado, Miguel Borba, de nove anos, com um par de patins. Detalhe: nenhum dos dois sabia andar com as rodinhas nos pés. Decidiram aprender juntos.

— A ideia não era criar nada disso. Para minha surpresa, ele se destacou muito, se identificou, e outras crianças começaram a querer andar também. Percebi que ele atraía os amigos pelo fato de andar bem. Daí surgiu a ideia do projeto. Para o adulto, é uma terapia. Para a criança, ensina resiliência, coragem e superação — conta Davis.

Miguel Borba durante aula da Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

O nome "Turma do Pacotinho" surgiu porque Davis chama o afilhado carinhosamente de "Pacotinho". O afeto familiar logo se estendeu aos demais integrantes. Desde dezembro, padrinho e afilhado passam as tardes de domingo no parque. Com o tempo, novos voluntários e praticantes se juntaram à causa.

Um deles é Natan Santos. Ele também aprendeu a dar os primeiros passos com o grupo e hoje atua como monitor para os iniciantes.

— Eu sempre tive vontade de andar de patins, mas nunca tive a oportunidade. Vi o Davies e o Miguel andando aqui no parque e comecei. Na primeira vez já gostei e me identifiquei — diz Natan.

Natan orienta crianças da Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

Os encontros ocorrem durante toda a semana em diferentes pontos da cidade:

Davis Tomé, da Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

O piscineiro Rafael Lemes, que andava na infância, reencontrou o amor pelo esporte ao assistir aos treinos e hoje ajuda a ensinar os mais novos.

— É muito bom ver a criançada evoluindo. Lembra a minha infância. Além disso, é uma forma de mantê-los longe das telas de celulares e computadores. Nós, adultos, também nos desligamos um pouco da rotina — comenta Rafael.

O ge acompanhou um domingo de atividades e presenciou a evolução dos alunos. Miguel, o "Pacotinho" original, arrisca saltos e manobras em rampas com desenvoltura.

— No dia em que ele comprou os patins, eu me emocionei de verdade. A gente caiu muito no começo, o Davis até ralou o dedo, mas foi muito legal. Hoje eu não tenho mais medo — revela Miguel, de 9 anos.

Miguel Borba, da Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

A pequena Elisa, também de 9 anos, divide a pista com o pai e celebra sua evolução.

— O Davis chamou o meu pai e eu me encontrei aqui. Não achei difícil e não tenho medo de arriscar — diz a menina.

Elisa, da Turma dos Pacotinhos — Foto: Danilo Sardinha/ge

Mais do que formar patinadores, Davis ressalta que o foco principal do projeto é o desenvolvimento humano através do esporte radical.

— Eu mesmo venci muitos medos pessoais por causa dos patins. Sou outra pessoa nos negócios e na vida. O esporte ensina resiliência. Caiu? Levanta, não liga para a queda e continua. O esporte transforma, ensina a superar limites, e é isso que eu defendo para essas crianças — conclui o idealizador.

Pista de skate e patins do Parque Alberto Simões — Foto: Danilo Sardinha/ge