Por Maurício Soares e Julio Costa — Teresina
02/09/2026 18h05 Atualizado 02/09/2026
Cleiton Robozão, jogador com passagem pelo Altos em 2025, segue brilhando no futebol internacional. Desta vez, na temporada 2025/2026, o atacante de 30 anos ajudou o Al-Sahel, clube da Segunda Divisão do Kuwait (Kuwaiti Division One), a terminar a competição na segunda posição da tabela, com 44 pontos, e a conquistar o acesso à elite do Campeonato Kuwaitiano (Kuwaiti Premier League) de 2026/2027. Em sua passagem, ele marcou quatro gols em sete partidas na reta final do torneio local. Confira os gols acima.
Cleiton Robozão, atacante do Al-Sahel, do Kuwait — Foto: Suliman Photos
O atacante explicou que seu início no Al-Sahel se deu de forma inusitada: ele chegou na reta final da Segunda Divisão do Kuwait pensando que faria primeiro os treinos de pré-temporada pelo novo clube antes de estrear no torneio local.
Mesmo em meio às dificuldades de adaptação e ao nível físico diferente em comparação com outros atletas que estavam há mais tempo na competição, Cleiton Robozão demonstrou satisfação por conseguir contribuir para o retorno do clube de Abu Halifa à Primeira Divisão local.
Cleiton Robozão, atacante do Al-Sahel, em campo contra o Al-Yarmouk, na Segunda Divisão do Kuwait — Foto: Suliman Photos
- Eu tinha em mente que iria chegar aqui, fazer (os treinos de) pré-temporada e iniciaria o torneio depois. Só que, um dia em casa, eu e minha esposa estava pesquisando sobre o país e sobre a competição. Falei para ela que era a Segunda Divisão (do Kuwait). Ela foi pesquisar e estava lá, a competição estava rolando. Eu pensei: mas como assim? E faltava apenas uma semana para viajar (ao país), e só pensei: 'Meu Deus do céu! E agora?' - explicou Cleiton Robozão, que ainda completou.
- Para chegar de cara para a competição (em andamento), com sete jogos faltando para o acesso, eu procurei treinar o máximo possível e ajustar o que podia para evitar a questão de lesões. Sabia que nos primeiros jogos seria bem difícil (de adaptar) fisicamente. Foi bem desafiador passar por isso, sem (treinos de) pré-temporada, chegar no meio da competição, com outros jogadores mais preparados fisicamente, mas estou feliz porque consegui contribuir bastante para o acesso, com quatro gols em sete jogos, e concluir os objetivos do clube - destacou o atacante.
Atacante Cleiton Robozão (camisa 91) celebrando vitória do elenco do Al-Sahel, na Segunda Divisão do Kuwait — Foto: Suliman Photos
Além disso, Cleiton Robozão destacou que pretende seguir atuando no futebol internacional por mais quatro temporadas. Além de defender o Al-Sahel na disputa do Campeonato Kuwaitiano de 2026/2027, o jogador de 30 anos comentou que deseja disputar o Campeonato Saudita (Saudi Pro League) em um futuro próximo e, se possível, jogar contra ou ver Cristiano Ronaldo em campo, por quem possui admiração.
Cleiton Robozão, atacante do Al-Sahel, em campo contra o Burgan, na Segunda Divisão do Kuwait — Foto: Suliman Photos
- Pela minha experiência aqui fora do Brasil, eu pretendo sim, ainda ficar mais três ou quatro anos fora do país. O Kuwait é um país muito bom para se viver também, assim como Malta, espero ficar aqui no país (do Oriente Médio) por mais dois ou três anos, ou então, chegar quem sabe, em um Campeonato Saudita, nada é impossível. A gente está trabalhando, colocando Deus diante da nossa vida, como sempre tenho feito - comentou Cleiton Robozão, atacante do Al-Sahel, que ainda concluiu.
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Saudi Pro League - Al Nassr v Al Taawoun, gol de Cristiano Ronaldo — Foto: Hamad I Mohammed / Reuters
*OBS: Apenas os dois primeiros colocados da tabela da Segunda Divisão do Kuwait sobem de divisão. Al-Sulaibikhat foi campeão em cima do Al-Sahel pelo critério do saldo de gols.
Elenco do Al-Sahel celebrando acesso na Segunda Divisão do Kuwait 2025/2026 (Cleiton Robozão, camisa 91) — Foto: Suliman Photos
Cleiton Robozão, atacante do Al-Sahel, do Kuwait — Foto: Suliman Photos
Natural de Cajari, no interior do Maranhão, Cleiton Robozão construiu grande parte de sua carreira no futebol maranhense, com passagens por clubes como Americano-MA, Santa Quitéria-MA, Timon, Chapadinha e Moto Club. Em sua única experiência no futebol piauiense, pelo Altos, marcou dois gols e distribuiu uma assistência em 21 partidas disputadas, somando competições como Campeonato Piauiense, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e a Série D do Brasileiro na temporada de 2025.
Cleiton Robozão, atacante do Altos — Foto: Samuel Pereira/A.A. Altos
Cleiton Robozão ganhou destaque nacional na vitória do Altos, de virada, sobre o Fortaleza, na fase de grupos da Copa do Nordeste 2025. Na oportunidade, ele conseguiu uma arrancada de quase do meio de campo, passando por David Luiz, na estreia do zagueiro pelo clube cearense. O atacante deu uma assistência para o gol de Rodrigão, que sacramentou a vitória da equipe piauiense.
Aos 32 min do 2º tempo - Cleiton arranca, toca para Rodrigão que só escora para o gol
Depois da passagem pelo Altos, Cleiton Robozão migrou para o futebol internacional em agosto de 2025, onde segue até hoje. Antes de se transferir para o Al-Sahel, do Kuwait, seu primeiro clube foi o Hibernians, de Malta, onde marcou 11 gols e distribuiu cinco assistências em 32 partidas somando competições como o Campeonato Maltês (Maltese Premier League), Copa de Malta, Supercopa de Malta e UEFA Conference League na temporada de 2025/2026.
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Cleiton Robozão, atacante do Hibernians, no Campeonato Maltês (Maltese Premier League) de 2025/2026 — Foto: Divulgação | Hibernians F.C.
Saída do Hibernians e surgimento da proposta do Al-Sahel
- Essa minha vinda para o Oriente Médio, um dos principais fatores que ocorreu, foi o fator da minha família. Porque quando eu fui para Malta, eu tentei levar minha família (para lá) e o Hibernians falou que não seria possível. Eu tive que ir porque era uma grande oportunidade e não queria desperdiçar. Conversei com minha esposa, colocamos na mesa as dificuldades (que estávamos enfrentando), porque ela estava grávida do nosso segundo filho e ficaria com meu outro filho de dois anos. A gente conversou, deixamos Deus no controle de tudo e eu fui no objetivo de fazer as coisas acontecerem.
- Fiz uma temporada boa em Malta, e eu aproveitei o momento para começar a trabalhar internamente com o pessoal do clube, se tinha possibilidade de trazer minha família (ao país) em casa de uma renovação (de contrato), porque na época, só o clube tinha o direito de renovar. E aí o diretor falou que iria trabalhar nisso e tal. E no meio da temporada, chegou uma proposta do Iraque, proposta muito boa. Eu e o meu empresário, o Leandro Brittes, a gente tentou sair e pedir a liberação, tanto para o diretor, como para o treinador, mas não me liberaram.
- Falei com meu empresário que, só renovaria (o contrato) se levassem a minha família. Podia ficar no Brasil, mas eu não voltaria mais sem a minha família. E aí, foi quando surgiram outras oportunidades em outros países. Tinha essas duas situações: além da minha família, os clubes (do Oriente Médio) teriam que pagar um valor referente à minha multa que não tinha no contrato. Mas a gente trabalhou isso desde a minha primeira temporada, e caso viesse uma situação boa, o Hibernians poderia nos liberar por tal valor. E aí, o Al-Sahel chegou, fez esse acordo e as coisas foram acontecendo.
Adaptação ao clima e língua árabe do Kuwait
- Sobre a adaptação, para mim, o início foi bem complicado. Até porque, eu sai de um país que o fuso-horário no Brasil é uma coisa e o fuso-horário no Kuwait era outro, diferença de 6h entre os dois. Mas o que incomodou mesmo foi o calor. Quando cheguei aqui, tinha dias que batiam 46°C, e as 10h da noite, fica ali entre 40°C e 43°C. Então você vai treinar, jogar , foi bem difícil essa questão.
- Sobre a língua, alguns jogadores não falam inglês. Mas tem outros brasileiros no elenco, alguns falam inglês e eu consigo entender, falar algumas coisas e eles vão passando (informações). O treinador passa (as instruções) em árabe e eles vão traduzindo para a gente. Mas no demais, é bem tranquilo.
Entrosamento e convivência no elenco do Al-Sahel
- No Al-Sahel, os jogadores, no geral, nos receberam muito bem. Então isso ajudou muito no entrosamento. É uma equipe que se dá muito bem (um com o outro), não tem muita questão de vaidade. Então assim, sempre na celebração dos gols, estamos juntos celebrando a meta de cada um. Tem a nossa resenha, tanto brasileiro com brasileiro, como brasileiro com árabe, e isso foi ajudando também bastante esse nosso desenvolvimento de campo, então é um ambiente muito bom.
Aprendizado para seu filho no futebol internacional
- Também estou começando a trabalhar mais também na questão do meu filho, se ele quiser seguir essa carreira de, de poder já ter uma experiência (no futebol) fora do Brasil, de um dia, ele já sendo maior idade, poder entender e saber dos desafios fora do país, então é isso o que estou está pensando. Mas depois disso, pretendo ainda jogar algumas competições no Brasil e aí depois disso, dar uma parada para curtir a vida e minha família. Mas, de início, meu foco total ainda é fora do país.