O Inter enfrenta turbulências dentro e fora de campo antes do Gre-Nal da volta das quartas de final da Copa do Brasil. Se por um lado adiantou o salário aos jogadores e pagou parte das dívidas, por outro não vence há nove rodadas no Brasileiro e está na zona de rebaixamento. É nesse contexto que o time chega ao clássico das 20h desta quinta-feira na Arena.
Mesmo assim, em tese, o técnico Paulo Pezzolano não corre risco de demissão. Nos bastidores, a direção mantém a confiança no trabalho do treinador e, até o momento, não considera a possibilidade de uma troca no comando.
Por outro lado, a torcida passou a cobrar mais o uruguaio. Em enquete promovida pelo ge e encerrada nesta quarta, véspera do clássico, o trabalho foi considerado "muito ruim" pela maioria dos participantes.
Pergunta feita: Como você avalia o trabalho de Pezzolano?
Muito ruim: 58,99% (2.080 votos)Terrível: 20,76% (732)Ótimo: 5,42% (191)Ruim: 5,19% (183)Bom: 3,74% (132)Regular: 3,32% (117)Muito bom: 2,58% (91)Total: 3.526 votos
Apesar dos resultados recentes, a avaliação interna é pela manutenção da comissão técnica. O entendimento da diretoria é de que os reforços recém-chegados, como os atacantes Eliasson e Sanabria, podem ajudar a equipe a mudar o rumo da temporada.
O Gre-Nal desta semana aumenta a pressão sobre o ambiente colorado. A equipe se mobiliza para conter a crise e evitar um agravamento da situação no Brasileirão. Ainda assim, o clássico não deve alterar a posição da cúpula do clube em relação ao treinador. Pelo menos até o fim de semana, quando o Inter recebe o Santos, no Beira-Rio.
Uma eliminação nesta quinta, que seria a primeira do Inter em mata-matas para o rival – em competições nacionais e internacionais –, e novo fracasso no Brasileirão, que chegaria a 10 jogos sem vencer no campeonato e afundado no Z-4, traria mais pressão das arquibancadas.
O apoio a Pezzolano foi manifestado inclusive de forma pública. Após o primeiro Gre-Nal das quartas de final da Copa do Brasil, disputado na última quinta-feira, o presidente Alessandro Barcellos concedeu entrevista e defendeu o uruguaio.
– Nós temos total confiança no trabalho, achamos que o Pezzolano tem conseguido dentro de todas as dificuldades que o Campeonato Brasileiro apresenta, organizar uma equipe competitiva. Buscamos agora o Eliasson e o Sanabria para dar mais alternativas ao treinador. De forma que tem uma confiança no trabalho do treinador e nós acreditamos na classificação, mas independentemente disso, o Pezzolano tem a nossa confiança e, portanto, será o nosso treinador e vai concluir essa temporada – afirmou Barcellos.
Os números de Paulo Pezzolano no Inter:
42 jogos*17 vitórias 12 empates13 derrotas61 gols marcados47 gols sofridos50% de aproveitamento*três foram comandos pelo auxiliar Esteban Conde e um pelo auxiliar Pablo Fernández
Inter pode trocar de treinador com um transfer ban ativo?
A resposta é sim. O ge ouviu um especialista em direito esportivo para entender até onde vai a restrição do Inter para registrar atletas.
A sanção está ativa desde a última semana, por conta de uma dívida cobrada pelo Midtjylland, da Dinamarca, envolvendo o zagueiro Juninho, e se restringe apenas ao registro de novos atletas.
Portanto, o transfer ban não é um impeditivo para uma possível troca no comando técnico e, a decisão de manter Paulo Pezzolano no clube, passa exclusivamente por uma convicção da direção.
– Um clube que está com transfer ban pode contratar outro técnico. A punição aplicada pela Fifa impede o registro de novos jogadores, mas não a contratação de um treinador. A Fifa passou a incluir os técnicos no sistema de proteção do RSTP (Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores), inclusive permitindo que o não pagamento de valores devidos a um treinador possa gerar um transfer ban como forma de pressionar o clube a cumprir a obrigação. Mas são coisas diferentes – afirma Andrei Kampff, criador do portal Lei em Campo e sócio na AK Direito na Comunicação.