Por Marco Souza e Janaína Wille, GZH — Porto Alegre
05/09/2026 05h00 Atualizado 05/09/2026
Diego Caito conta como foi jogar o Gre-Nal com lesão no ombro
Injeções, dor, remédios e ansiedade. O lateral-direito do Grêmio Diego Caito encarou essa rotina por uma semana. Depois da luxação sofrida no ombro esquerdo no Gre-Nal de ida das quartas de final da Copa do Brasil, o jogador venceu uma batalha improvável para estar em condições de jogo na última quinta-feira. Exatamente o tipo de impacto que o clube esperava quando buscou sua contratação.
Caito não só esteve em campo durante os 90 minutos da vitória por 3 a 1 na Arena, como também contrariou a maioria dos prognósticos médicos sobre sua disponibilidade. Em vez de ficar fora por seis a oito semanas, como projetado, estava pronto para a batalha do clássico. Depois da vitória na Arena, o jogador revelou, em entrevista concedida nesta sexta-feira ao jornal Zero Hora, a rotina da semana de preparação.
Sem a tipoia pela primeira vez desde a lesão, o lateral acordou bem após a classificação. Esse era um dos piores momentos dos últimos dias. Por dormir sobre o ombro, a dor era terrível pelas manhãs. Algo que foi superado com apoio e orientação dos médicos e fisioterapeutas do clube.
Diego Caito pediu para jogar o Gre-Nal 454 após lesão no ombro — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Uma realidade que parecia improvável quando sentiu a dor no local após a disputa com um jogador do Inter. Mesmo com o choque e a preocupação, pediu para seguir em campo. Chegou a interceptar o sistema de comunicação da comissão técnica com o médico durante o atendimento para não ser substituído.
– Fiquei desesperado naquela situação. Falei, "pô, tem 15, 20 minutos do primeiro tempo ainda, não tem como sair dessa partida, um clássico, meu primeiro Gre-Nal e eu vou sair". O doutor acionou o banco de reserva, disse pelo rádio que precisava sair. Aí eu aperto o rádio dele, nem sei se o pessoal no banco chegou a ouvir, mas falei pra não me tirar. Que estava bem – disse Caito.
O tratamento em três períodos deu boa resposta. Antes do treino da manhã e após a atividade durante a tarde, o jogador estava sob os cuidados dos fisioterapeutas do clube. À noite, em casa, dava sequência ao tratamento com os aparelhos fornecidos pelo departamento médico e às medicações receitadas pelo médico para combater o que fosse possível da dor e da inflamação no local lesionado.
– Era para eu ficar parado por um pouco mais de tempo. Porque o ombro é chato. Ainda mais eu que sou lateral, que estou toda hora trombando, dando carrinho, é uma lesão mais chata e ruim. O doutor falou que era para ficar fora durante um bom período, mas como eu queria jogar, era para fazer o tratamento e ver. Tratei o final de semana. Segunda eu fui para o campo, para fazer um trabalho sem contato. O ombro estava bem lesionado, inflamado ainda. Na terça também. E na quarta eu fui para ver se eu iria conseguir estar disponível ou não. Consegui ir bem – comentou.
Grêmio transforma a vitória sobre o Inter no "Gre-Nal da valsa"
Depois das muitas agulhadas dos últimos dias, o prognóstico para o futuro é positivo. Sem tanta dor, como precisou conviver nos últimos dias, Caito quer seguir disponível depois da meta atingida na Copa do Brasil.
— Vencemos e convencemos nesse Gre-Nal. Fizemos uma boa partida, de imposição. Os três gols saíram em jogadas combinadas. Ficamos muito felizes por conseguir colocar em prática o que Luís Castro nos pede. Ele é um excelente ser humano e um baita treinador. Tenho certeza que as coisas vão caminhar ainda para melhor com ele. Queremos muito subir na tabela do Brasileirão, melhorar a nossa pontuação. Temos totais condições de chegar ali entre os oito primeiros. Temos que sonhar alto, nós temos time para isso. Precisávamos de um momento para encaixar algumas coisas — projetou.
A comissão técnica ainda fará a reavaliação das alternativas para o próximo compromisso. Após o foco total no Gre-Nal, o Grêmio concentrará toda sua atenção no Brasileirão.
Com Diego Caito como exemplo de postura e dedicação ao clube, o desejo do clube é seguir com o mesmo brio mostrado nos clássicos. Só assim, os objetivos da temporada serão possíveis.