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FIA garante independência de painel após críticas de Briatore em caso Gasly

Por Redação do ge — Monza, Itália 05/09/2026 06h34 Atualizado 05/09/2026 Flavio Briatore questiona juiz da FIA por relação com McLaren após Gasly perder pódio Por meio de um comunicado, a FIA (Federação Internacional do Automobilismo) rebateu, neste sábado, as acus…

FIA garante independência de painel após críticas de Briatore em caso Gasly
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Por Redação do ge — Monza, Itália

05/09/2026 06h34 Atualizado 05/09/2026

Flavio Briatore questiona juiz da FIA por relação com McLaren após Gasly perder pódio

Por meio de um comunicado, a FIA (Federação Internacional do Automobilismo) rebateu, neste sábado, as acusações de Flavio Briatore sobre a independência dos juízes no caso que culminou com a perda do pódio de Pierre Gasly no GP de Mônaco. A entidade defendeu a condução do processo e afirmou que nenhuma das partes apresentou objeção à composição do painel durante a audiência.

Flavio Briatore, chefe de equipe da Alpine — Foto: Jakub Porzycki/Reuters

Nesta sexta-feira, na coletiva de imprensa dos chefes de equipe durante o GP da Itália, o chefe da Alpine não poupou críticas à entidade. A insatisfação do empresário italiano se deu após a decisão que devolveu as punições de Pierre Gasly na corrida de Monte Carlo.

Briatore questionou a independência de um dos quatro juízes que avaliaram o caso, afirmando que o integrante possui relação com a McLaren - a equipe inglesa solicitou, junto com a Red Bull, a revisão que culminou com a restauração das sanções dadas a Gasly.

Flavio Briatore é consultor e atua como chefe da Alpine na F1 — Foto: Alex Bierens de Haan/Getty Images

“Os Tribunais da FIA estão cientes dos comentários públicos que questionam a independência e a imparcialidade dos juízes do painel que decidiu o Caso ICA-2026-06-07-08-09.

Os Tribunais da FIA esclarecem que a nomeação e a participação dos juízes nesse caso, assim como em qualquer outro, seguiram os procedimentos judiciais aplicáveis e a prática habitual, baseados nos mais altos padrões, como as Diretrizes da IBA sobre conflitos de interesse em arbitragem internacional.

Todos os juízes são eleitos pelas Assembleias Gerais da FIA. Eles estão sujeitos às exigências de independência e confidencialidade previstas nas regras judiciais e disciplinares da FIA, fazem declarações anuais de interesses ao responsável de Compliance da FIA e assinam uma declaração específica de independência para cada caso, considerando as questões envolvidas e as partes.

Tanto no início quanto no fim da audiência, as partes foram convidadas a levantar qualquer questão relacionada ao procedimento ou à composição do Tribunal. Nenhuma o fez. Também não houve objeção durante a audiência à maneira como o Tribunal questionou as testemunhas ou conduziu os procedimentos.

O Tribunal reforça a importância de formar painéis com juízes de diferentes origens culturais e geográficas, o que contribui para a diversidade de tradições jurídicas, perspectivas e abordagens e fortalece a imparcialidade e a independência do processo.

Uma decisão pode gerar diferentes interpretações e comentários sobre seus méritos jurídicos; isso é legítimo e aceito pelos juízes. O Tribunal está confiante na solidez do processo e na integridade dos juízes e permanece comprometido com a independência e a imparcialidade de seus integrantes".

Frustrado, Pierre Gasly concede entrevistas no GP de Mônaco da F1 2026 — Foto: Jayce Illman/Getty Images

Gasly e outros pilotos foram punidos durante o GP de Mônaco, realizado em 7 de junho, por excederem limites de velocidade nos boxes. O francês da Alpine cruzou a linha de chegada em terceiro, mas tinha sido penalizado em dez segundos e caiu para sétimo. A equipe chefiada por Briatore pediu a anulação das punições dadas ao francês e, em um primeiro momento, foi atendida.

No entanto, a FIA voltou atrás nesta sexta-feira e devolveu a punição imposta a Gasly, com base na audiência realizada pela Corte Internacional de Apelação (ICA) da entidade, sucedendo o apelo conjunto da McLaren e da Red Bull. Assim, o piloto da Alpine perdeu o pódio obtido na prova, e Isack Hadjar, da equipe austríaca, recuperou o terceiro lugar.

Pierre Gasly no GP de Mônaco de F1 2026 — Foto: Divulgação

- Desculpe, mas isso é muito injusto. Aceitamos a decisão, mas o que é muito estranho é que, dos quatro juízes do painel, um deles age como um promotor; ele tem uma ligação muito forte com a McLaren, pois temos uma bela foto desse cara no discurso para a McLaren em 2018, na McLaren Special Operations (MSO), em Beverly Hills. Ele tem uma fundação chamada One Drop Foundation, e a McLaren doou um carro para ele. Isso é bastante injusto: um dos juízes estava ligado a uma equipe que protestava contra nós - declarou Briatore, acrescentando:

- Esse juiz foi muito desagradável durante a audiência. Depois, descobrimos o motivo pelo qual ele foi tão desagradável. Independentemente do que (Andrea) Stella (chefe da McLaren) diga em nome do esporte, minha primeira reflexão sobre o julgamento é que é preciso ser independente. Os pontos 1, 1.2, 3, 4 e 5 (do regulamento) não me importam. Fomos à audiência com a McLaren e achamos muito estranho, porque esse juiz não era um juiz; ele era um promotor. A decisão em Mônaco foi tomada pelas mesmas pessoas, pois os comissários de que estamos falando são os mesmos. Eu aceito tudo. O que não aceito é quando se trata do juiz. Nossa grande dúvida é esta: por que alguém ligado à McLaren fazia parte do painel neste caso? - questionou.

Vencedor do GP de Mônaco da F1 em 2026, Andrea Kimi Antonelli divide pódio com Lewis Hamilton e Isack Hadjar — Foto: Beata Zawrzel/NurPhoto via Getty Images

Briatore reforçou que a Alpine aceita a decisão da Corte Internacional de Apelação da FIA, que julgou o caso no último dia 25 de agosto. Porém, afirmou que a maior insatisfação da equipe está relacionada à composição do painel:

- Aceitamos o resultado da audiência. O que foi muito decepcionante foi descobrir que um dos juízes tem um ótimo relacionamento com a McLaren, um relacionamento profissional, por assim dizer. O painel deveria ser totalmente independente, e não se precisa de alguém ligado a alguma equipe, especialmente à equipe envolvida conosco nesta situação. Só isso. Nada mais. Agora vamos ver. Vamos pensar no que podemos fazer a seguir.

Chefe da McLaren, Andrea Stella classificou as acusações de Briatore como ofensivas à equipe e declarou que o gestor da Alpine deve assumir a responsabilidade pelas falas. O italiano também defendeu a condução do julgamento pelo Tribunal Internacional de Apelação da FIA:

- Considero que essa conversa, ao seguir nessa direção, seja bastante ofensiva para a McLaren, para a reputação de uma equipe que merece muito respeito. E se alguém fizer esse tipo de alegação, que parece bastante grave, terá que assumir a responsabilidade pelo que está dizendo em um fórum público. A audiência e todo o processo no Tribunal Internacional de Apelação, foram conduzidos de acordo com os mais altos padrões, e não devemos questionar essa fase da maneira como tem sido feito.

Zak Brown, CEO da McLaren, e o chefe Andrea Stella no GP do Japão da F1 2026 — Foto: Kym Illman/Getty Images

A Alpine também se pronunciou através de uma nota divulgada nas redes sociais; nela, lamentou a medida tomada pela entidade e reafirmou que discorda do desfecho:

"A equipe expressa sua decepção e frustração com o resultado alcançado pelo Tribunal Internacional de Apelação da FIA em relação ao resultado do Grande Prêmio de Mônaco de 2026. Embora discordemos da decisão e mantenhamos integralmente a posição de que o carro #10 não excedeu o limite de velocidade do pit lane em nenhum momento durante a corrida, a equipe reconhece a decisão do painel de juízes na recente audiência realizada em Paris. Embora o resultado não seja o que esperávamos, já que consideramos ter sido punidos injustamente, a equipe está totalmente focada em continuar melhorando seu desempenho na pista e permanece na disputa pelo Campeonato, que segue acirrada e muito competitiva. Esse resultado não vai desviar a equipe de seus esforços e de sua motivação para alcançar seus objetivos até o fim da temporada".

A reportagem do ge havia antecipado, em junho, que a McLaren e a Red Bull pretendiam apelar da reinstalação do pódio de Gasly na prova vencida por Kimi Antonelli. As duas equipes decidiram apelar depois que a FIA aceitou o pedido da Alpine, e retirou as punições dadas a Gasly na corrida em Monte Carlo.

O protesto da Alpine, por sua vez, se deu em razão de um problema de medição que culminou em várias punições dadas aos pilotos, de maneira inconsistente, por acelerar nos boxes.

Com a devolução do pódio do francês da Alpine determinada pela FIA, o próximo passo para a McLaren e a Red Bull seria levar o caso para a Corte Internacional de Apelação (ICA) do esporte a motor - o que ambas fizeram.

O GP de Mônaco ficou marcado pela grande quantidade de punições de cinco segundos dadas aos pilotos na pista, quase todas elas causadas por excesso de velocidade dentro dos boxes. Ao todo, cinco competidores foram penalizados por esse motivo: Lewis Hamilton, George Russell, Oscar Piastri,Franco Colapinto e o próprio Pierre Gasly – o francês levou duas punições deste tipo.

Gasly cruzou a linha de chegada em terceiro lugar, mas as punições fizeram com que ele perdesse posições e alçaram Hadjar ao pódio. No entanto, a Alpine entrou com o pedido de revisão junto à FIA logo em seguida, com o intuito de solicitar o cancelamento das penalidades dadas ao francês.

Pierre Gasly, piloto da Alpine na F1 2026 — Foto: Clive Rose/Getty Images

O pedido foi feito dentro do prazo estipulado pela entidade que rege o esporte a motor, e a FIA analisou o caso. Após verificação dos dados, a Formula One Management (FOM) constatou que havia uma imprecisão na configuração das zonas de medição dos boxes.

A diferença de 77 centímetros na medição pesou no cálculo da velocidade média dos pilotos no trecho, e os pilotos punidos, em alguns casos, estouraram o limite em apenas 0,1 km/h. Ao recalcular os pit stops de Gasly com as medidas corretas, a FIA chegou à conclusão de que o francês estava dentro do limite e, por isso, decidiu restituir o pódio.

As punições dos outros pilotos não foram reconsideradas porque as equipes não entraram com pedidos de revisão dentro do prazo estipulado.

Além da Red Bull, que viu Isack Hadjar perder o pódio após a decisão da FIA, outras duas equipes também tinham perdido pontos na tabela: a McLaren viu Oscar Piastri cair do quarto para o quinto lugar, enquanto a Racing Bulls, equipe B da Red Bull, teve Liam Lawson e Arvid Lindblad perdendo uma posição cada – eles desceram para o sexto e sétimo lugares, respectivamente.

Na ocasião, a Mercedes também chegou a anunciar que pediria a revisão das punições dadas na corrida em Monte Carlo, visto que George Russell foi um dos penalizados e, de quebra, ainda sofreu um drive through penalty (quando o piloto precisa passar lentamente pelos boxes) por não ter cumprido os cinco segundos anteriores. A equipe, porém, decidiu não prosseguir com o plano.

A McLaren e a Red Bull, por outro lado, decidiram levar o caso adiante e recorreram na Corte Internacional de Apelação (ICA) do esporte a motor, com resultado positivo para ambas nesta sexta-feira.

Infos e horarios - GP da Itália da F1 2026 — Foto: Infoesporte