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Parto, banho de sol de Alonso e Pelé distraído: veja 10 momentos curiosos da F1 em Interlagos

Por Breno Peçanha — São Paulo 03/11/2026 14h05 Atualizado 03/11/2026 Interlagos vai receber neste fim de semana a 43ª corrida oficial de Fórmula 1.

Parto, banho de sol de Alonso e Pelé distraído: veja 10 momentos curiosos da F1 em Interlagos
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Por Breno Peçanha — São Paulo

03/11/2026 14h05 Atualizado 03/11/2026

Interlagos vai receber neste fim de semana a 43ª corrida oficial de Fórmula 1. Nesses anos de disputas na marcante pista localizada em São Paulo, nem só de momentos icônicos e grandes ultrapassagens viveu o grande prêmio em solo paulistano: ao longo dos anos, muitas cenas curiosas também ajudaram a consolidar o Autódromo José Carlos Pace no imaginário do fã de velocidade.

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Em meio às emoções das disputas, às vezes alguns toques são suficientes para eternizar momentos na história; alguns deles mínimos, outros mais fortes. Também há aqueles instantes de confusão de pilotos não tão renomados, mas que marcaram época. Abaixo, o ge lista dez momentos peculiares das corridas de F1 em São Paulo.

Carro-médico depois de batida no GP do Brasil de 2002 — Foto: Getty Images

A primeira corrida oficial da Fórmula 1 em Interlagos ocorreu em 1973, e o clima foi de absoluto caos. A começar pelo calorão que fazia na pista e nas arquibancadas – os bombeiros atiraram vários jatos d'água para refrescar o público. Um paraquedista da Força Aérea Brasileira (FAB) que fazia uma exibição caiu e sofreu múltiplas fraturas.

Antes do GP do Brasil de 1973, bombeiros jogam água na torcida para refrescar — Foto: Getty Images

Em meio à festa e ao sol no circuito paulista, uma mulher deu à luz a uma menina em pleno autódromo e teve alegria dupla: além do nascimento da filha, pôde ver Emerson Fittipaldi garantir a vitória para o Brasil na corrida.

O GP Brasil de 1994 ficou marcado por ser a última corrida de Ayrton Senna no país - o tricampeão morreu pouco mais de um mês depois. No entanto, a prova daquele ano em Interlagos também teve uma cena para lá de chamativa, com protagonismo de Jos Verstappen, pai do tetracampeão Max Verstappen.

Companheiro do vencedor Michael Schumacher na Benetton, Jos estreava pela equipe e lutava por posições no meio do pelotão com Eddie Irvine e Martin Brundle. Na volta 36, Irvine jogou o carro para esquerda antes da Subida do Lago e tentou superar o retardatário Eric Bernard, da Ligier.

Jos Verstappen causa acidente com 4 carros no GP do Brasil de 1994 — Foto: Reprodução/F1

No entanto, o irlandês não viu Jos Verstappen ao lado e acabou forçando o holandês para fora da pista. Após passar com as rodas na grama, o piloto da Benetton perdeu o controle do carro, derrapou para a esquerda e fez um strike cinematográfico, levando junto os carros de Irvine e Bernard.

A Benetton de Jos ainda arrancou a asa traseira da McLaren de Martin Brundle, que vinha logo à frente, e a roda do carro acertou o capacete do inglês, que por sorte saiu bem do incidente. Os quatro pilotos abandonaram a prova.

Sete anos depois, Jos Verstappen voltaria a protagonizar uma cena digna de cinema na Subida do Lago. Desta vez, o piloto conduzia o carro laranja da Arrows e era retardatário na prova em Interlagos. Ao ver o colombiano Juan Pablo Montoya se aproximar, o holandês abriu passagem para o líder da prova na volta 39.

Verstappen atropelou Montoya na freada para a Descida do Lago, em 2001 — Foto: Reprodução

Inexplicavelmente, Jos não conseguiu frear a tempo ao contornar a curva e bateu com tudo na parte de trás do carro da Williams. A Arrows arrancou a asa traseira do colombiano, decolou e tirou Montoya da prova para a frustração total do piloto, que tinha larga vantagem sobre Michael Schumacher.

Ainda na volta de aquecimento para o GP Brasil de 2002, o piloto da casa Enrique Bernoldi bateu com violência na segunda perna do S do Senna e abandonou a prova antes da largada, com direito a princípio de incêndio no carro da Arrows. A bandeira vermelha foi acionada, e o carro médico entrou em ação para verificar a situação do brasileiro.

Como a batida foi logo na saída dos boxes, o carro médico encostou rapidamente no local do acidente. Quem estava na direção era o ex-piloto brasileiro Alex Dias Ribeiro, acompanhado do Dr. Sid Watkins, médico oficial da categoria.

A situação parecia controlada quando, de repente, o alemão Nick Heidfeld desceu o S do Senna e atingiu em cheio o carro médico com sua Sauber. O impacto se deu na porta do motorista, que ficou destruída, e Alex Dias Ribeiro escapou por centímetros.

Carro médico dirigido por Alex Dias Ribeiro em Interlagos foi atingido por Nick Heidfeld — Foto: Reprodução/rede social

Bastante religioso, o ex-piloto admitiu o susto, mas ponderou:

– Se tivesse saído um segundo antes, teria sido atropelado. Mas não fiquei com medo porque acredito na vida eterna – comentou.

A batida de Heidfeld no carro médico não foi o único incidente curioso daquele GP Brasil. Em meio à batalha dos irmãos Michael e Ralf Schumacher pela vitória em Interlagos, cabia ao Rei Pelé a tarefa de dar a bandeirada ao ganhador da prova.

Pelé desceu do camarote, se aprontou na posição, e tudo parecia certo para o momento definitivo da corrida. No entanto, quando Michael Schumacher cruzou a linha de chegada na última volta... nada de bandeirada para o alemão da Ferrari.

Pelé perdeu a bandeirada no GP Brasil de 2002 — Foto: Reprodução/TV Globo

Pelé acabou se virando para trás quando os líderes cruzaram a linha de chegada e só percebeu depois. No fim das contas, agitou a bandeira quadriculada para os competidores que vinham no meio do pelotão.

O GP Brasil de 2003 foi um dos mais caóticos da história. A corrida chegou à volta 53 de 71 com 10 abandonos, incluindo o do até então líder Rubens Barrichello na volta 47 por falta de combustível. Com a saída do ferrarista, Kimi Raikkonen estava na ponta e tentava segurar o ímpeto do surpreendente Giancarlo Fisichella, com a Jordan.

Na abertura da volta 54, Fisichella aproveitou um erro de Raikkonen no Mergulho e assumiu a ponta. Porém, duas voltas depois, Mark Webber bateu forte com sua Jaguar na Curva do Café e espalhou detritos, pneus e terra pelo traçado. O safety car foi acionado, mas Fernando Alonso não conseguiu desviar da sujeira e bateu violentamente em um pneu solto no meio da pista, parando no muro na sequência.

Pista de Interlagos repleta de sujeira após acidentes de Webber e Alonso — Foto: Agência Getty Images

A direção de prova acionou a bandeira vermelha e encerrou a corrida. A Jordan comemorou o triunfo de Fisichella, mas a festa durou pouco na pista: a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deu a vitória a Kimi Raikkonen, porque a ultrapassagem do italiano teria acontecido na volta anterior aos acidentes e, no caso de bandeira vermelha, valeria a classificação de duas voltas antes.

O pódio em Interlagos teve Raikkonen em primeiro, Fisichella em segundo... e a ausência do terceiro colocado Alonso, que era atendido no centro médico devido à forte pancada.

No pódio do GP do Brasil de 2003 reinou a dúvida: o vencedor era Fisichella ou Raikkonen? — Foto: Getty Images

No entanto, a FIA revisou o resultado dias depois e constatou que Fisichella já tinha iniciado a volta 57 quando a prova foi interrompida – com isso, o triunfo foi devolvido ao piloto da Jordan, que só recebeu o troféu de vencedor em Ímola, 12 dias depois do GP Brasil.

Uma das imagens que mais rendeu memes na Fórmula 1 aconteceu no GP Brasil de 2015. Na ocasião, Fernando Alonso – à época lutando para extrair algo do péssimo carro da McLaren – teve problemas com o monoposto no início da classificação para a corrida e precisou abandonar a disputa.

A imagem de Fernando Alonso tomando sol em Interlagos fez a alegria das redes sociais — Foto: Bruno Terena

No entanto, Alonso decidiu não voltar à garagem e aproveitou o calor que fazia em Interlagos: pegou uma cadeira, se sentou no gramado e decidiu tomar sol, com direito a uma piscadinha para a câmera. A cena rapidamente viralizou e se tornou um marco daquela temporada.

A corrida de 2018 em Interlagos ficou marcado pela ousadia além do ponto de Esteban Ocon – e pela fúria de Max Verstappen. O agora tetracampeão liderava o GP Brasil e tentava abrir distância para Lewis Hamilton até que, na abertura da volta 44, o retardatário Ocon decidiu mostrar que era rápido.

O francês da Racing Point tinha acabado de colocar pneus macios e partiu para cima de Verstappen na freada para o S do Senna, tentando remover a volta de atraso. Os dois entraram na curva, mas o piloto da Red Bull saiu à frente. No entanto, ao contornar a segunda perna do S, acabou sendo tocado por Ocon. Max rodou, perdeu a liderança para Hamilton e esbravejou pelo rádio.

Ocon e Verstappen em momento capital da prova da F1 em Interlagos — Foto: Lars Baron/Getty Images

Max não conseguiu se recuperar e ficou com a segunda posição, enquanto Ocon teve que cumprir uma punição stop and go de 10 segundos nos boxes. Mas a história não acaba por aí: depois da corrida, Verstappen encontrou o francês no momento da pesagem e tentou partir para cima do adversário, com direito a empurrões.

Verstappen e Ocon discutiram na hora da pesagem — Foto: Divulgação

– Você faz tudo certo, ultrapassa todo mundo, tem um grande carro... e aí é tirado (da pista) por um idiota desses, sendo que ele era retardatário – lamentou Verstappen em entrevista.

Lewis Hamilton e Max Verstappen chegaram ao GP de São Paulo de 2021 no auge de uma rivalidade marcante, maior a cada corrida. E em meio a tantos momentos fora de série naquele ano, um simples toque causou uma das principais polêmicas da corrida em Interlagos.

Hamilton foi punido por uma irregularidade na asa traseira e acabou fora da corrida classificatória de sábado. Depois da sessão, Verstappen foi visto retirando as luvas e tocando com as mãos a parte traseira do carro da Mercedes – o que não é permitido por regulamento.

Max Verstappen toca carro de Lewis Hamilton no GP de São Paulo de 2021 — Foto: Reprodução/F1

Os comissários da prova investigaram o caso e deram uma multa salgada ao piloto da Red Bull: 50 mil euros, o equivalente a R$ 312 mil na cotação da época.

Como volta e meia acontece em Interlagos, o GP de São Paulo de 2024 aconteceu debaixo de muita, muita chuva. E uma das cenas mais bizarras daquele dia se deu antes mesmo da largada no domingo.

Lance Stroll tem problema na volta de aquecimento do GP de São Paulo 2024 — Foto: Getty Images

Ainda na volta de apresentação, o canadense Lance Stroll, da Aston Martin, perdeu o controle do carro e acabou tocando de leve na barreira de pneus, danificando a asa dianteira. Embora erros desse tipo sejam pouco comuns, ainda seria possível relevar devido às condições da pista, e Stroll poderia voltar a corrida tranquilamente...

Poderia, se não fosse mais um erro cometido na sequência, este muito pior: sem saber o que fazer, o canadense teve a brilhante ideia de tentar passar com o carro pela caixa de brita molhada para retornar à pista.

Não deu certo, e a Aston Martin de Stroll ficou atolada, para delírio dos torcedores nas arquibancadas de Interlagos. Lance abandonou e ainda teve que ouvir gritos de "Drugo! Drugo!", em referência ao brasileiro Felipe Drugovich, que era reserva imediato da equipe inglesa naquela temporada.